Matuto da alegria

Matuto da alegria!!!

Imaginem essa pessoa sem o chapéu, ela existe, e eu me encontrei com ele  no banco Bradesco esses dias.
Sai de casa achando que iria somente pagar umas contas no banco, e enfrentar uma filinha chata, mas essa figura estava lá também umas 6 pessoas a frente, e com certeza chamando muito atenção, pois o mesmo não ficava quieto com cara de fila de banco, ele  falava sem parar.
Primeiro pensei que estava bêbado, pois ele falava muito e alto, brincando com os caixas, com o chefe de caixas e com as pessoas da fila…
Cada vez que a campainha tocava indicando o caixa para o qual a pessoa deveria ir, ele dizia:
– Vai, olha aí número 5, ele é rápido, vai vai!!! Rapidinho né!!
– Olha o número 7 tá devagar, tá com sono!!!
Passada a primeira impressão em que achei se tratar de um bêbado, percebi que ele era apenas simples e muito brincalhão, tão simples que “sua noção de boas maneiras” não o impedia de falar.
E ele continuava:
– O chefão, só fica em pé dando ordens né, você tá muito feio hoje, olha que roupa feia!!!
E percebi que a maioria das pessoas sorria com os comentários do matuto, até eu dei sorrisos genuínos com os comentários dele, e a cara dele era demais, uma expressão matreira em todo rosto e olhos.
Um homem atrás de mim, achando que podia falar também, disse:
 – Oh meu, fica quieto aí, fica quieto!!!
Ninguém deu atenção a ele, pois ele era um chato, e os chatos acham que podem falar a todo momento, e que sua colocação é muito importante…..
E o matuto continuou a arrancar sorrisos…
Quando chegou sua vez de ir ao caixa, ele disse?
– Ohhh número 6, muito obrigado!
Tirou do bolso um pacotinho embrulhado com lenço branco de pano!!! Ali dentro estava o que parecia ser dinheiro e algo pra pagar, fez o que tinha que fazer, agradeceu novamente ao número 6, desejou bom dia a todos os caixas, deu tchau pro chefão, pra quem estava na fila, e quando passou pela gerência falou:
– Tchau pessoal da gerência, bom dia viu!
– Tchau pessoal!
E foi embora, simples de tudo, tudo, tudo.
Fiquei imaginando que ele deveria morar em Arujá, ou Mogi das Cruzes… E torci pra que ele fosse uma pessoa bem humorada todos os dias, sempre trazendo sorrisos repentinos as pessoas.
Também pensei em quanto será que perdemos com nossas “supostas boas maneiras”, a espontaneidade de certa forma já não faz parte de nós.
Andamos fazendo nossas coisas pela rua e lugares e as vezes não falamos com ninguém.
Podíamos começar com um sorriso, já seria uma grande coisa.
Ah! Matuto! Pensei nessa figura vários dias.
Obrigada por me fazer sorrir em um momento tão inesperado.

Autora: Branca Raffi

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Sobre Branca Raffi

... paranaense, paulistana desde a primeira garoa aos 7 anos de idade e que adora vadiar pela paulista, augusta e centro da cidade observando as pessoas, amante das palavras, etílica, aspirante a tocar a vida das pessoas, eclética, ri sozinha, e sempre sonha que está voando...

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