É dia de Feira

my cesta feira mymy

É dia de feira, e não há acontecimento mais eloquente pra gente que mora aqui na periferia, do que ir à feira, ver aqueles legumes e verduras bem verdinhos, as frutas bem maduras, tudo fresquinho vindo do CEASA. Admitimos, nem sempre os melhores produtos vem para periferia, mas ainda assim para as donas de casa que moram da ponte pra cá, é o acontecimento da semana, dia de sair cedo para pegar as carnes mais frescas, e depois voltar no fim da feira para pegar os produtos um pouco mais baratos, e se tem uma coisa que todo feirante odeia é voltar com mercadoria no caminhão, então o desconto tá garantido.

Só que essa tradição esta se perdendo, não é mais permitido criar novas barracas na feira, e a prefeitura vem criando cada vez mais dificuldades para que os feirantes renovem suas licenças. O vídeo abaixo é do movimento #vaprafeira que luta para que essa essência paulistana não se perca, vale um clique.

Mesmo com toda essa poesia, esse calor humano que a só feira tem, aqui na periferia essas características boas estão se perdendo, nas feiras daqui falta fiscalização, a higiene é precária, não tem hora certa pra acabar, depois que acaba a limpeza demora pra vir.

Mas há na feira uma barraca que justifica passar por qualquer coisa, a barraca do pastel. E me diga quem nunca viveu a maravilhosa experiência de degustar o pastel de feira, ele mesmo, o carro chefe da gastronomia paulistana, tão sem igual que não há no país alguém que se negue a admitir que ele é delicioso. Tão essencial na vida dos paulistanos, que existe até um concurso para escolher o melhor pastel da cidade, como se fosse possível!

Eu e meu amigo Heder quem o diga, ir a feira para comer pastel é quase um ritual nosso, desde os tempos de colégio, nos encontrávamos as terças-feira para degustar nosso pastel com garapa! Claro que quando erámos adolescentes ir a feira tinha outro sabor, ficávamos de papo, sempre passava um conhecido pra cerra o pastel ou para uma conversa fiada. A confusão na hora da conta era de lei pra pagar menos, afinal moleque do morro é moleque do morro, fazer o que né?

Nesta ultima terça-feira nos encontramos para matar a saudade desse tempo bom, mas nada foi como antes, ao redor da nossa barraca predileta enquanto erámos atendidos, tinha uma gente esquisita e mal encarada, daquele tipo que fica medindo as pessoas, outros com cara de esfomeados se mordendo e com tiques nervos (a gente sabe bem o por que), umas meninas ainda muito novas com homens bem mais velhos, coisa que não víamos no nosso tempo, próximo a barraca ao lado de um salão de cabeleireiro fizeram uma pichação com o seguinte dizer “CRACOLANDIA” ao ler aquilo me dei conta, meu bairro e até o pastel na feira que tanto gostamos nunca mais será o mesmo, coisas do tempo em que vivemos…

Autor: @robsonpnx

Anúncios

Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s