Toma lá, da cá!!!

Se os índios foram mortos à vista, eles deixaram para os ocidentais a morte a prazo: o tabaco, que dizimou gerações e gerações com doenças como câncer no pulmão, enfisema e insuficiência cardíaca, até a chegada dos europeus no continente americano os brancos não tinham o habito de tragar fumaça, e da mesma forma que os índios se tornaram alcoólatras com facilidade por conta dos engenhos de cana, os europeus também viciaram no tabaco com a mesma facilidade.

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A planta significa para os índio um ligação espiritual, e era usada em cerimonias religiosas, lideres indígenas pregavam em transe pelo fumo excessivo do tabaco, algumas tribos fumavam antes das guerras para aliviar dores e também por prazer.

Nas colônias do Caribe e do Brasil, os poderes do tabaco logo conquistaram os brancos, o que não deixou a Inquisição nada feliz, algumas pessoas foram presas e torturadas pelos inquisidores pois diziam eles que “somente o diabo poderia dar a um homem o poder de soltar fumaça pela boca”.

Mesmo com a não aceitação da Inquisição o sucesso da planta era tanto que Luiz Gois, um dos fundadores da capitania de São Vicente, resolveu levar o tabaco para Portugal. Na corte, a planta chamou a atenção de Jean Nicot, embaixador francês em terras lusitanas. O diplomata levou a novidade a sua rainha em 1560, Catarina de Médici adorava novidades, e achou o tabaco sensacional, fazendo a planta cair no gosto de toda França. Jean Nicot teve papel importante na difusão do tabaco pela Europa, seu sobrenome foi emprestado para o nome cientifico da erva (Nicotina Tabacum), assim como o da substancia “nicotina”.

Graças a esses dois personagens o Brasil chegou a ter o tabaco como seu segundo maior produto exportado, ficando atrás apenas da cana-de-açúcar. É essa a historia da herança maldita que os índios deixaram para os brancos, a morte a prazo, com gerações e gerações de doentes de câncer no pulmão, enfisema, insuficiência cardíaca etc. Mas, por outro lado, parece que, na era da democracia digital (em que os representantes eleitos tudo veem e quase tudo podem), estamos de volta, em alguns aspectos, ao autoritarismo e à intolerância de 500 anos atrás. Se antes era a sagrada Inquisição, ancorada em Deus, agora é o Estado que tudo regulamenta, vigia e pune, ancorado no saber médico/científico. Um e outro consideram que somente o diabo poderia levar você a soltar fumaça pela boca. E a tomar uma cerveja gelada e dirigir. E a acender… enfim, essa é a ideia.

Autor: @robsonpnx
Imagem: Juca

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Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

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