Dolores e os dólares!

A mistura de tanta beleza e tanta miséria era um afrodisíaco irresistível para o experiente jornalista Derik. Nos anos 90 ele viajou para a Libéria na África Subsaariana para fazer um documentário sobre as vitimas das duas guerras civis que ocorreram nos anos 80 e devastaram o país, foi depois que um golpe militar que derrubou o presidente William Richard Tolbert, Jr e deu inicio a um período de instabilidade que deixou centenas de milhares de mortos.

Ao chegar em Monróvia a capital do país Derik conheceu Dolores, ele com seus 38 anos e ela com 18, ele um jornalista americano premiado por sua brilhante atuação durante a guerra-fria, ela uma sobrevivente que ganhava a vida como guia para os jornalistas aventureiros que se arriscavam pelo país. Dolores era linda e extremamente pobre, tinha uma mesma proporção de beleza e miséria estampada em sua vida, morava em um dos muitos cortiços da cidade, um lugar fétido e sem higiene. Mesmo sendo ela muito linda, o lugar, o país nunca lhe proveu oportunidades.

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Derik tomou coragem e convidou Dolores para sair. Ela disse que adoraria, mas não se sentiria bem pois suas roupas eram trapos velhos e ela tinha vergonha de se apresentar malvestida ao lado de tão elegante homem. Derik ficou feliz em poder comprar um vestido para Dolores. Na loja os olhos dos dois se encontraram no espelho da loja, e ela lhe sorriu com uma boca grata e safada. Virou-se e deu-lhe um beijo inesquecível. Partiram dali direto para o quarto de hotel onde ele estava hospedado, cuja diária custava mais do que dois salários mínimos liberianos.

As semanas seguiram maravilhosamente bem, o quarto do hotel se tornou um cativeiro de sexo, álcool, sordidez e nada mais. Com o tempo foi revelado que, tesão à parte, o que unia os dois na verdade era a enorme carência de bens materiais de Dolores e a vaidade patética de querer ser herói de Derik. Ela não parava de pedir que ele comprasse de tudo, sem a menor noção de limite. Mas ela realmente precisava de tudo. E ele não poupou seus dólares para tela perto de si. Até que ele se deu conta do problema, havia se ofereci como salva-vidas, mas nem sequer sabia nadar. Começou então a se sentir usado.

A coisa acabou em desastre é claro. Ele voltou da Libéria com o bolso vazio, um nó na cabeça e uma pedra no lugar do coração. Nunca mais se viram, o documentário sobre a vida dela lhe rendeu um premio que compensou os gastos, soube depois de algum tempo que ela havia se tornado prostituta, e no seu quarto guardava uma foto dele! Seu provável primeiro cliente.

Autor: @robsonpnx
Imagem: Freddy Sam

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Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

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