Bora “dichavar” a ignorância!

A tempos venho dichavando este post por se tratar de um assusto que eu diria um tanto delicado para não dizer qualquer outra coisa, falar sobre, ou até mesmo citar a palavra “maconha” em alguns lugares, entre pessoas caretas pode gerar um certo desconforto, preconceito, ou até mesmo discriminação.

Assisti na semana passada o documentário “Quebrando o Tabu” (vídeo abaixo). Onde do lado de quem pensa diferente, FHC, mesmo que tardiamente, se pronuncia a favor da “regulamentação”, que é bem diferente de “liberar”. Regulamentar o uso não significa liberar geral, nem mesmo apoiar o narcotráfico. Não da para imaginar um mundo onde a maconha esteja liberada e os gestores do seu negócio tenham metas para aumentar o seu consumo per capita. As estratégias que seriam arquitetadas para que o ambicioso e jovem gestor merecesse seu bônus e sua promoção por ter aumentado as vendas de maconha junto aos seus segmentos-alvo?

Seja por prazer, por curiosidade, medo, para fugir dos problemas, para resolve-los, para encontrar Deus ou se jogar em pecados, a fome que o homem tem por alterar sua dita “normalidade” é parte crucial da nossa história e do nosso destino. Da criança que gira obsessivamente para cair tonta, e rindo, no chão até o mais inconsequente dos psiconautas ou o nóia do centro, passando, provavelmente, por você, todos buscamos alterar nossa consciência de alguma forma de vez em quando — há em nossa espécie um desejo profundo em colocar a consciência para funcionar sob novos parâmetros. Pouco importa se, pessoalmente, gostamos ou não de drogas. Mas é preciso, em nome da sanidade pública, entender que quem as usa não é simplesmente criminoso, doente, covarde ou corajoso — é, antes de tudo, humano e depois de décadas de uma mal sucedida guerra contra as drogas, ainda não sabemos lidar com uma das mais básicas e complicadas necessidades humanas a de deixar de ser, sair de si, pra ser aquilo que realmente somos. Toda droga é ruim quando usada para alienar, entorpecer. Mas pode ser boa para despertar a consciência…

Da mesma forma como a lei seca norte-americana alimentou a máfia, que de quadrilha étnica de gueto virou uma força fora de controle, a proibição do consumo de maconha e de outras drogas fez dos narcotraficantes uma das grandes e globalizadas tragédias do mundo contemporâneo. Combater a maconha não leva a lugar nenhum. Combater a ignorância sim, de quem fuma e de quem não fuma. Assistimos não faz muito tempo o trágico resultado do despreparo da corporação no dia da #marchadamaconha que repreendeu os manifestantes com muita brutalidade e violência, vi fotos de PMs que tiraram a identificação para poder bater com mais liberdade, esse mesmo despreparo é uma das justificativas dos estudantes da USP preferirem o risco de serem assaltados à presença da PM no campus. Pra quem não se lembra, eles conquistaram esse direito na época da ditadura.

Hoje a legislação brasileira com relação a descriminalização do usuário é toda uma grande hipocrisia. Ela confunde o usuário ocasional com o viciado, mistura os dois. Ela aplica prestação de serviços à comunidade por cinco meses nos dois casos. Essa medida é de bom tamanho para o viciado, desde que com tratamento médico. Mas aquele usuário ocasional, que usa droga para ir numa festa, tem que receber medidas mais duras. Ele conscientemente sustenta o tráfico. Não da pra ver um jovem descolado de classe média fumando com sua galera e não pensar que ele está mantendo o tráfico de armas, o assassinato de menores carentes e a corrupção dos governos. E todo aquele que se arrisca a ir numa biqueira comprar droga, sabe que é proibido, então comprar em maior quantidade para abastecer os amigos, se tornando assim um pequeno traficante.

Amigos médicos me falam que a maconha não é uma droga tão inocente assim. Eu concordo, mas não vou bater ou trancar ou prender ninguém por 1 motivo tão besta. E também discordo de quem diz uma estupidez como “leva a outras drogas”, ou “começa com um baseado, depois rouba, furta, mata…

Um outro amigo americano defendeu quando a Suprema Corte permitiu os exames antidrogas em empresas nos EUA. Ele diz que invade a privacidade, mas não quero entrar num avião cujo comandante fumou um baseado. E tenho meus motivos para isso.

Acho que nenhum piloto de um AIRBUS fumará um beque antes de uma viagem em que cruzará os oceanos. Como não beberá cachaça, que é legal e vende nos bares ao lado do portão de embarque. Ele poderá cheirar cola num saquinho no banheiro da primeira classe. Não, né?

E se o filho de alguém se perde nas drogas — sim, existe, acontece — melhor se perguntar se a culpa é das drogas ou da estrutura pessoal ou familiar. Será sempre mais fácil culpar a droga do que a educação.

Para que todos fiquem cientes, eu sou a favor da discriminação, acho que o cultivo artesanal pode combater o narcotráfico. O viciado e dependente químico deve ser tratado pelo estado, independente do vicio que tenha, se é crack, maconha, álcool, cocaína ou qualquer outra coisa. Devemos empenhar esforços em prol da educação e informação de que tais drogas podem fazer mal, e o mal que cada uma pode fazer.

Autor: @robsonpnx

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Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

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