Quase que dezoito!

O pai de Igor fora ameaçado de morte e estava com a cabeça a premio mesmo sendo juiz. Corrupto que era nunca serviu de exemplo para o filho, um garoto de 17 anos inteligente e muito esperto! Igor gostava de fazer o bem, e sempre teve o pé atrás com o pai, que ganhando um salário suspeito, sempre esbanjava nas compras e ostentava luxos surreais a sua classe! Mesmo com tanto poder e ganhando o seu por fora, o pai de Igor não pode garantir a segurança da família. Numa terça-feira a tarde quando Igor voltara pra casa depois do colégio, ao abrir a porta se deparou com sua mãe e suas irmãs menores vitimas da vida bandida do pai. Assustado Igor ligou para o pai, que estava no trabalho e não demorou a aparecer acompanhado de alguns PMs! Igor se tornou então uma vitima em potencial para quem quisesse atingir seu pai.

Para não se tornar ele também uma estatística pagando pelos erros do pai, Igor fez as malas e caiu na estrada, destino, praia de Mariluz litoral do Rio Grande do Sul, no município de Imbé, lugar lindo e paradisíaco, pacato fora da temporada, quando apenas a pesca garante o sustento do local! Igor havia então trocado a selva de pedras que é São Paulo, por um paraíso ao sul para esquecer dos problemas. Hospedou-se numa pequena pousada e tentou esquecer a dor em seu coração! A essas alturas o caso já havia tomado repercussão nacional, as mortes na família evidenciaram a profissão do pai expondo seu patrimônio, e suspeitas de corrupção caíram sobre ele, seu rosto estampava jornais de todo o país, mas a identidade de Igor ainda estava preservada!

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Na mesma pousada em que Igor estava, também se hospedaram algumas estudantes do ultimo ano do curso de biologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), as universitárias estavam ali para fazer um trabalho sobre a migração dos pinguins vindos da Antártida. As moças não demoraram a notar a presença do jovem rapaz, e ele também não demorou a se irritar com a curiosidade de uma das moças que cismou que o conhecia de algum lugar, e insistia em sondar sua vida lhe fazendo perguntas. Igor agora alimentava um certo rancor pelo pai, sabendo que ele de certa forma era o culpado pelas mortes da mãe, e das irmãs, e por isso evitava a todo custo que alguém descobrisse de quem era filho!

Duas das moças mais decoladas, conseguiram numa noite estrelada leva-lo para um passeio a beira do mar agitado, típico do inverno. Sem ao menos perceber o jovem estava agora sendo seduzido pelas mulheres com mais experiência que vivem como lhe apetecem, e ainda por cima tiram de cada momento todo o prazer que se pode… E o que dizer das cariocas, quando o próprio corpo fala por elas, ressaltando a bonitez do sorriso. O mesmo sorriso que as remetem aos tempos de menina. As moças se sentiam bem a vontade uma com a outra, bebiam vinho, falavam besteira e provocavam o garoto! Igor estava se deixando levar pelo momento, até que as meninas resolveram ascender um baseado. O jovem que nunca tinha bebido na vida, e muito menos usado drogas, recusou a principio, mas assim como o vinho, ele também não resistiu por muito tempo! Os efeitos da droga deixaram as moças mais descoladas e o jovem cada vez mais fora de si, para ele era como se estivesse agora num filme nacional com o clichê das universitárias lésbicas que transam com o carinha mais novo realizando seu sonho de adolescência.

Mas, não foi isso que aconteceu, logo que as coisas esquentaram e ele quis participar uma das garotas o enxotou de lá, disse que jamais ficaria com o filho de um ladrão, e que se ele esta ali escondido é por que tinha vergonha de mostrar a cara, era conivente com a bandidagem do pai… Tais palavras feriram a Igor como farpas cortantes, era a verdade, mas a verdade mais dolorosa que já ouvira na vida! Sem saber direito qual era o rumo da pousada Igor partiu chorando, se dando conta de que ele agora seria visto por todos como o filho de um bandido, sem o amor da mãe para conforta-lo.

Passou como uma criança birrenta com lágrimas nos olhos pela recepção, quando a moça curiosa o viu.  Terminou sua bebida no bar e se dirigiu ao quarto do rapaz, cruzou-se na escada com um casal de idosos, chegou ao terceiro andar, parou em frente ao quarto do rapaz e deu tímidas e discretas batidas na porta, dez minutos depois estavam nus, aos quinze gemiam, aos dezoito sussurravam palavras de amor que já não tinha necessidade de fingir um para o outro, aos vinte e um Igor sentiu que seu corpo se despedaçava de prazer, aos vinte e dois gritavam segredos de liquidificador, aos vinte e oito Igor não sabia mais quem ele era ao certo, exausto, inconsciente e de alguma forma feliz…

Continua…

Autor: @robsonpnx

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Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

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