Eduardo e Mônica

Eduardo e Mônica, eram nada parecidos, sexo, classe social, mundos opostos, mas ainda assim, com muita coisa em comum. Ambos jovens problemáticos, se conheceram no banco do Juizado de Menores, enquanto aguardavam a assistente social que voltaria em alguns minutos do almoço.

Mônica, era uma linda garota de 17 anos, longos cabelos castanhos, pele bronzeada e mal tratada pelo sol, corpo bem desenhado, sorriso discreto, voz baixa de quem se sente sempre culpada. Moradora da periferia paulistana, conheceu desde cedo os duros tratos da vida, aos 11 foi abusada pelo padrasto, aos 12 engravidou e foi expulsa de casa pela mãe, que preferiu ficar com o marido que bancava a casa e os outros filhos. O pai ela nunca conheceu. Abortou o filho que esperava do padrasto. Foi morar com a tia, irmã da mãe, servia de cobertor de orelha pro primo mais velho. Engravidou de novo, abortou de novo. Aos 17 já tinha feito 3 abortos. Escola, desde os 13 que não sabia o que era, vivia a deriva. Conhecia bem o gosto amargo da cachaça, e também o sonoro “Twiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnn” causado pelo uso do lança perfume, que se descobriu útil pra anestesiar sua realidade.

Eduardo era um aborrecente de 14 anos, filho único, foi criado na farinha láctea e nos bons filés, tinha de um tudo em casa, menos a atenção do pai que vivia viajando. Seu passatempo favorito, era andar de skate e fumar maconha, já estava na sua terceira prisão por pichação, a mãe já nem se dava o trabalho de ir busca-lo, só mandava o advogado. Na escola ele era conhecido como o garoto problema, expulso de outras não era visto com bons olhos pelos professores. Para a mãe qualquer coisa era mais importante que o filho problemático!

E mesmo com mundos tão diferentes, quis os destino que os dois se encontrassem ali! Numa conversa com muitas trocas de olhares, ficou mais que evidente um querer das duas partes. Mônica queira o luxo e a liberdade de que gozava Eduardo. Ele por sua vez queria toda a atenção e o carinho dos olhos de piedade com que Mônica o olhava.

Os dois trocaram telefones, se encontraram, dividiram suas historias, compartilharam carinhos, e se amaram loucamente, descobriram juntos um sentimento chamado amor

apolotorres16

Ela engravidou, ele enfrentou a família pra ficar com ela, ela se tornou a mãe mais feliz e amorosa do mundo, ele criou responsabilidades e perdoou o pai, ela fez o mesmo pela mãe, ele hoje trabalha com o pai, ela voltou a estudar, ele ajuda ela nas tarefas do lar. Ela é pra ele um carrossel de realidade, luta e superação… Ele é pra ela um oásis de sonhos, fantasia e promessas de um futuro bom…

E quem um dia irá dizer, que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer, que não existe razão?”

Autor: @robsonpnx
Imagem: Apolo Torres

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Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

2 comentários sobre “Eduardo e Mônica

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