Um Banho de Chuva e um Cachecol Azul!

— Alô, Ravier! Vamos a uma festa hoje?
— Tudo bem Beto, mas você pode passar na minha casa?
— Claro, te pego as 21:30hs. Tudo bem?
— Sim, te espero então!

Ravier carrega consigo essa velha mania, sempre aceita convite para qualquer coisa que envolva álcool, musica e gente legal — Pouco tempo depois no carro de Beto — Passam em frente ao Parque Ibirapuera, seguem pela Av. Brasil e chegam ao Jardim Europa, passando por algumas ruas até chegarem a Rua Antônio Bento, Beto para em frente a uma mansão moderna, estaciona, desce e toca o interfone. Abrem o portão e eles entram. A casa é muito bonita, janelas cobertas com cortinas de diversas cores voltadas para o jardim, uma piscina meio vazia descansa um pouco mais além a espera do verão, e ali perto uma quadra de tênis de terra batida, e a rede tensa parece montar guarda. Um mordomo os espera na porta.

Ao entrarem Carol a dona da casa corre ao encontro deles, cumprimenta Beto afetuosamente, ao ver que Beto esta acompanhado Carol se vira e pergunta; “Conseguiu?”. E ele a olha como quem diz, “claro, não vê que ele esta aqui”. Sem entender muita coisa Ravier cumprimenta Carol, e todos se dirigem para o salão onde acontece a festa!

Repentinamente no meio desse salão, cheio de pessoas desconhecidas, de vozes distantes e confusas, de livros antigos, de quadros pintados pelo tempo… Ravier ouve um riso, o riso que sentia falta, o riso pelo qual ele procurou por todas as ruas de São Paulo. Gisele, que esta sentada em um sofá no meio da sala, como de costume é o centro das atenções, conta algo e ri, todos a sua volta riem iluminados por sua personalidade envolvente. Ravier se vê dentro de um caleidoscópio, vê passar por sua mente cada momento vivido ao lado dela, o encontro inesperado no Corleone, dançando Aways do Bon Jovi, a explosão enlouquecida de seu amor por ela. Naufragado em inseguranças pelo reencontro inesperado Ravier tenta fugir, mas já é tarde, Gisele o viu e vai ao seu encontro.

— Ravier! Não acredito, que surpresa boa…

Ela o abraça, aperta forte e o beija suave no rosto. Depois se afasta, mas não muito, e fica parada olhando-o fixamente nos olhos enquanto sorri.

— Estou contente em vê-lo, mas o que faz aqui?

Antes que Ravier tenha tempo de responder, Gisele começa a falar… Ri e fala, fala e ri. Comenta sobre coisas que ele fez nesses últimos 2 anos, fala dela, como foi sua saída do programa, a volta definitiva pra São Paulo, coisas que já não lhe importava mais. De repente o pega pelo braço e o arrasta, mais mulher, mais segura, mais madura… “Vem comigo, quero te apresentar uns amigos”. Ravier sorri e cumprimenta a todos como se aquilo fosse importante pra ele, nomes e sobrenomes, historias e mais historias de pessoas que se acham nobres por pertencer a alta classe Paulistana. Ravier olha Gisele, observa essa hábil cortesã, dama impecável dessa sua alta sociedade…

Ravier olha a sua volta e vê Beto num canto da sala a sorri. Beto percebe, olha pra Ravier e pisca, sem avisar nada Beto sai com Carol em direção a porta. Ravier vê o amigo ir embora, e o deixar ali sozinho com Gisele, sozinho com o destino do seu passado. Que grande mente a de Beto, elaborador de destinos, impecável e genial. Ravier se afasta, vai ao bar tomar algo, encontra um rum — Um Pampero, o melhor — Pega um copo e bebe de um gole só, mais outra vez… Mais um copo! Volta pro lado dela, sentam-se num sofá, Ravier olhando para ela fixamente, Gisele sorri…

— Você bebeu, não é?
— Sim, um pouco…

Em instantes os dois estão ali, nos fundos da casa, à sombra, próximos a duas bicicletas abandonadas, olhando a noite, enquanto o tempo passa. Gisele desata a falar mais, conta tudo, tudo que se pode contar, ou o que decide contar. Ela mulher, clara e transparente, ou talvez não. Antes que Ravier lhe pergunte quantos braços a estreitaram para transforma-la no que é, a noite se acaba, exatamente como a sua garrafa.

Todos se despedem, trocam beijos, recordam compromissos futuros! E do lado de fora dos portões Ravier se encontra sozinho.

— E agora o que vai fazer?
— Nada. Vim com meu amigo Beto, mas ele foi embora.
— Não se preocupe, eu estou de carro, pode deixar que eu te levo! Vamos?

Gisele manobra seu Minicooper azul para que Ravier entre no carro! Gisele o olha enquanto dirige. “Tome”, entrega a Ravier um cachecol azul. Ravier agradece e diz não estar com frio, Gisele ri, “Bobo”, o olha com seriedade. “Coloque-o nos olhos, assim você não vai poder ver nada. Lembra, não? Agora é minha vez”. Sem dizer nada Ravier amarra o cachecol em volta da cabeça. Gisele aumenta um pouco a musica, e Ravier se deixa levar assim tranquilo pela musica, por ela, pela garrafa de rum que acabou de tomar, pelas ruas.

— Pronto, chegamos!

Ravier tira o cachecol/venda e avista São Paulo, provavelmente estão no mirante da Cantareira. Repentinamente Gisele se aproxima e o beija, suave, sem pudores, e sorri na penumbra da noite nublada.

— Senti sua falta, sabia?

Gisele sorri enquanto desabotoa a camisa de Ravier, continua tranquila e desce um pouco mais, sem pressa, mas decidida, segura, ainda mais segura… O empurra pra fora do carro e ri divertida porque começou a chover. Levanta a camisa e tira o sutiã, ficando com os seios a mostra, deixa-se acariciar pela água e depois por Ravier, que escorrega com a língua por seus mamilos molhados. Com as mãos firmes ela abre o seu cinto, desabotoa sua calça, deixando que caia, coloca a mão dentro e sussurra em seu ouvido:

— Aqui está… Olá… Quanto tempo…

Atirada como nunca fora antes, beija seu peito enquanto a chuva continua a cair. Depois escorrega mais abaixo, deixando-se levar por essas gotas até encontra-lo. Ravier relaxa assim, levado pelo rum, pela chuva, por uma Gisele que desconhecia. Agora molhado, todo e por todos os lados, raptado pela boca que o acaricia quase com raiva, agora mais depressa, sem parar, com a boca ávida de tudo aquilo que já não é mais seu. Depois se afasta, levanta-se, investe e o joga no chão, e ele se deixa cair. Ela sobe sob ele, levanta a saia e não tem nada embaixo. Molhada por todos os lados, segura suas mãos e fica assim por cima, começa a cavalgar enquanto a água cai. Ravier agarra-se ao chão, sente sua cabeça girar por causa da bebida. Gisele o olha desejosa, sensual, atirada. De repente um relâmpago, e então Ravier pode guardar aquela imagem em sua memoria como uma foto superposta, uma imagem desfocada, uma Polaroid.

A chuva engrossa e Gisele segura Ravier com mais força, ele se mantem quieto, ela move-se para cima e para baixo, quase com raiva, continua sua corrida com mais ímpeto sem deixa-lo fugir, cavalga e goza, sem lhe dar trégua, nem repouso. Mais, mais e mais… Se afasta só no último momento, quando Ravier também goza. E satisfeita, contente, já saciada, desaba sobre ele. Abandona-se assim, entregue aquele prazer. Depois da um beijo suave.

— Ravier, tenho que lhe contar uma coisa!

Enquanto Ravier volta a se vestir embaixo d’água, embaixo daquela chuva típica paulistana, ela continua:

— Só espero que não fique com raiva.

Ravier torce o cachecol molhado e o enrola no pescoço, depois sacode os cabelos na tentativa de se ajeitar um pouco, e ela termina:

Queria te dizer, eu vou me casar daqui a duas semanas!

Autor: @robsonpnx

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Sobre Robson Almeida

Baiano radicado em São Paulo, Paulistano de coração | Diletante da Escrita | Efémero | Lascivo | Bucólico | Butequeiro | Blogueiro | Meio Intelectual | Meio de Esquerda | Gente Diferenciada...

4 comentários sobre “Um Banho de Chuva e um Cachecol Azul!

    1. Uma despedida onde o presentinho da noiva não sabia de nada! Um mero objeto na mão de gnt egocentrica!

      Tadinho do meu personagem, vou escrever um onde uma molher sofre horrores por causa de um homem!

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