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Liga da Justiça em Ação!

Estou de férias como todos já sabem, mas não posso ficar sem me manifestar frente a greve da PM na Bahia. Porque como vocês sabem que eu adoro um burburinho com a PM, seja a de São Paulo ou a de qualquer outro estado, é serio, já esta se tornando uma relação de amor e ódio! A cada post, ou twitter criticando eu recebo advertências por e-mail, e ameaças de processos nunca levadas adiante, por que ainda existe a liberdade de expressão para todos!

Nesta quinta 02/02 os PMs de Vitoria da Conquista também aderiram a tal greve, o que todos reivindicam é o de sempre, melhores salários e condições de trabalho! Ok, agora vem a novidade! Quais são as atuais condições de trabalho dos PMs da Bahia, um misero salário de 1.202,00 reais mês, coletes vencidos e armas enferrujadas, além da falta de uma ajuda psicológica… Triste né? É verdade, eu não gostaria de trabalhar fazendo a segurança de ninguém nessas condições! Ainda assim, mesmo trabalhando nessas condições a PM da Bahia consegue ser uma das mais violentas do país com inúmeros registros de agressões nas festas populares, por isso acho que o mais importante nas reivindicações é a ajuda psicológica! Há tempos essa PM despreparada vem mostrando sua cara, basta ver os índices de violência e homicídios do estado que só nos últimos 4 anos aumentaram cerca de 50,4%. Durma-se com um barulho desse!

E com tudo isso acontecendo o Governo baiano já esta tomando suas providências, Wagner voltou de sua viagem as Ilhas Caribenhas (Haiti e Cuba), pediu ajuda da Guarda Nacional, e colocou o restante do efetivo da PM que não aderiu a greve pra cair de pau em cima dos grevistas dentro das assembleias espalhadas no estado!

NINJA

Mas é fevereiro, o mês do carnaval, e tudo o que se quer imprensa quer saber da Bahia é a ordem em que os Trios Elétricos vão descer a avenida até o farol, todas as emissoras se retiraram das assembleias – dizem que a mando do Governo Wagner – para que ele possa cair de pau em cima dos grevistas sem que haja registros!

Quer saber de uma coisa, todos os demais governos e sistemas de governo do mundo invejam a forma de governar de Wagner, ela é perfeita, é genial. Perfeita por que usa a “alegria” como forma de controlar as massas, enquanto o resto do mundo se esforça para controlar as massas através do capitalismo, socialismo, ou das guerras, revoluções e do consumo, na Bahia não. O Governo só faz o suficiente para gerar “alegria”, mantem-se todos pobres, colocam o som pra tocar no Trio Elétrico e inventam feriados pro ano todo, assim o carnaval se perpetua em Salvador. Só que essa brasilidade enlatada que o governo baiano adora vender pro resto do mundo não é mais a que o povo quer, eles já abriram seus olhos, isso porque a Bahia não é só o carnaval de Salvador, existe também a marginalidade das cidades do entorno, o crack que anda devastando os jovens em Vitoria da Conquista e Feira de Santana, a miséria e a seca que devastam famílias, plantações e criação na caatinga! Nem todo mundo quer essa felicidade moribunda, falsa, que dizem ser boa pra todo mundo, alguns preferem encarrar a realidade.

Para os que não querem, ou se acham acima disso, em caso de emergência não liguem para o 190, chamem a Liga da Justiça, quem sabe eles ajudam, porque em cima de um Trio Elétrico eles não fazem justiça alguma.

Autor: @robsonpnx
Imagem: Comunica

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IRAÊ

Essa historia é uma reprodução de um conto que minha bisavó me contava quando eu era ainda muito pequeno, ou pelo menos o que eu me lembro dela contar, se passa na Bahia. E deve ser muito antigo, pelo que ela me contava, deve ter escutado ainda quando era criança, pois é de um tempo logo depois da abolição do escravos. Tudo se da mais ou menos assim:

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Iraê que na língua Yorubá significa Estrela, era uma moça filha de ex-escravos que vivia em Salvador na Bahia de todos os Santos, sua sina era vender frutas para tentar levar a vida e ganhar seu sustento. Dona de uma beleza única Iraê, fazia Senhores Feudais, Coronéis, Duques e Viajantes torcerem o pescoço quando descia as ladeiras do Bom Fim com sua cesta de frutas na cabeça requebrando os quadris para se equilibrar nas ruas de paralelepípedo… Sua pele negra refletia o Sol da Bahia e a fazia brilhar como uma Pérola Negra, seus lábios eram carnudos, vermelhos e vivos como a pimenta malagueta, o nariz afinado denunciava que algum senhor tinha feito algazarra na senzala onde seus pais eram escravos, cabelo de cachos definidos, cintura fina, pernas torneadas das ladeiras do morro, dorso largo, seios fartos, bunda de mulata e muque de pião… seu olhar brilhava como seu nome, como uma Estrela!

Zé Abdala era um Mercadante Turco, que vinha a Salvador periodicamente trazer e comprar mantimentos, atravessava o Atlântico abordo de seu navio levava nosso café, açúcar, cacau, tabaco entre outras coisas mais… Era um homem distinto, de pele bronzeada e cabelos pretos e lisos, alto e com sorriso largo, lábios finos e queixo protuberante, tinha músculos fortes e definidos! Uma mulher em cada porto era sua sina, o coração de marinheiro é livre como o vento que vem do mar, e assim também era o espirito de Zé Abdala.

Rodeada de crianças que cantavam em coro e batiam palmas lhe pedindo frutas, ela partiu descendo do alto das ladeiras do Bom Fim, ele a avistou e fixou o olhar em suas coxas passando por todo seu corpo.  Quando ela passou por ele e seus olhares se cruzaram, ela então cedera a estripulia daquelas crianças, e começou a dançar, valsando como valsa uma criança, no meio do circulo que eles faziam a sua volta, numa tarde de forte Sol. Lambuzada de manga que caíra da cesta, o seu vestido branco e bem cintado agora já transparecia seu corpo moreno. Vendo aquela miragem passar por si, livre como as aves que voam no ar, ele a quis, e por querer sem saber por que ele a seguiu, se aproximou, e ela o puxou para dançar consigo. Nas janelas, bares e cafés… todos paravam para assistir aquele casal que rodopiava cercados de crianças, eles seguiram na direção do cais do porto, antes da tarde cair ela deu as crianças sua cesta, e se entregou nos braços daquele marinheiro! Foram dançando pelas ruas da cidade baixa, passando em frente ao mercado, próximos aos navios ancorados, onde alguns conhecidos gritavam seu nome. Num hotel não muito distante onde ele estava hospedado, foi para lá que eles seguiram, fizeram amor do findar da tarde, até a chegada do alvorecer!

Antes que ele pudesse acordar, ela se vestiu para partir. Conhecia bem a sina dos homens do mar! Quando acordou e não a viu Zé se perguntou se aquilo havia mesmo acontecido, vestiu-se e saio a andar pelas ruas, procurando por uma moça com suas características, perguntou no mercado e alguns lhe disseram que ela morava na cidade alta, num morro afastado do centro, e para lá foi o Marinheiro Mercadante a procurar, pediu ajuda as crianças que lhe levaram até a casa daquela mulher generosa que de vez em quando distribuía frutas a eles. Ele a avistou no tanque, lavava roupas e a sua blusa caída deixava a mostra o bico do seio, algo inocente que o deixou excitado. Lhe falou seu nome, e disse que aquela noite havia sido magica, perguntou o nome dela, conversaram e ele partiu, tinha que voltar para o outro continente, mas não a esqueceria, e lhe pediu para espera-lo!

Já no barco Zé Abdala olhava para o céu para se lembrar de Iraê, e Iraê olhava para o mar para se lembrar de Zé Abdala. Ele varreu o velho continente caçando presentes para levar aquela moça que agora tinha domado seu coração antes alado, do lado de cá a noite de amor dos dois tinha deixado para ela um presente em seu ventre. Ele voltou meses depois, foi direto a sua casa, levando consigo muitos presentes e a intenção de largar o mar só para viver próximo a ela. Se surpreendeu ao reparar sua barriga saliente, seu coração saltou no peito e ele soube naquele momento que o fruto daquele ventre também era seu. Abandou o mar, e abriu naquela cidade uma mercearia, casaram-se e viveram juntos a mais quente das paixões da Bahia, tiveram uma única filha a quem deram o nome de Isabel em homenagem a princesa que libertou os escravos…

Gosto de imaginar que daquela barriga nasceu a mãe de minha bisavó, que lhe contou esta historia sem muitos detalhes dos que eu imaginei aqui, mas marcou na memoria da família como nossos antepassados se conheceram…”

Autor: @robsonpnx
Imagem: Eduardo

O Ladrão de cachecol

Muitos gaúchos, paulista e até esquimós se assustariam com o frio que faz no sul da Bahia durante o inverno, a caatinga é um ecossistema que só existe no Brasil, e em Vitoria da Conquista onde se passa essa historia ela é predominante, no verão é calor de dia e de noite, mas no inverno a diferença de temperatura entre o dia e a noite pode ultrapassar 20°C.

Foi em meados de um mês de agosto, o Ladrão de Cachecol e seu amigo, um Profeta, partiram em uma missão à Bahia de todos os Santos. A mãe do Profeta estava muito doente e ele já não há via a alguns anos, seu companheiro o Ladrão só se decidiu pela viagem na ultima hora, foi de boêmio que é, só pra não perder o passeio e toda a beleza do lugar. Estavam em ano letivo e ambos ainda estavam no colégio, mesmo assim, não deixariam de viver mais aquela aventura.

Ao chegar a cidade os dois foram direto ao hospital visitar a mãe do Profeta, e depois saíram a vagar pela cidade reencontrando velhos amigos e familiares! É realmente surreal ver o mundo com os olhos de um jovem de 17 anos, passear por ladeiras de bairros antigos como o Guarani, ir ao mercado municipal, se encantar com os sabores, cores e amores que só a Bahia — independente de qual seja à cidade — tem a oferecer. Soltos naquela terra de belas e simpáticas mulheres, tantas bocas, tantos corpos, tudo que eles mais queriam… Em meio a tantas experiências, tantas historias sendo vivenciadas, muitos falavam numa moça com trejeitos de princesa, moça essa que morava no alto de uma ladeira, uma baiana diferente de todas as outras, ela tinha uma beleza virginal.

O Profeta que conhecia muito bem seu companheiro, disse as palavras magicas antes mesmo dos dois se encontrarem:

Se o Ladrão ficar com essa mina, ele volta pra São Paulo apaixonado!

Não é atoa que nessa historia ele ganhou a alcunha de Profeta, sua profecia iria se tornar realidade em breve…

Depois de uma noite inteira de espera, eis que surge ela. Aquela bela baiana, de olhos castanhos, pele branca, cabelos negros, seios fartos, lábios carnudos, sorriso tentador, rosto bem desenhado e porte de princesa. Ainda mais bonita do que haviam descrito. Ela nem bem se aproximou da roda e o Ladrão mirando em seus olhos disse:

— Estava te esperando!

As palavras tem uma força que talvez ele desconhecesse… Ela o indagou logo em seguida, como poderia estar a sua espera se nem se conheciam, e ele disse a ela que todos ali a esperavam para irem comer algo em algum lugar, esperavam por sua companhia. Ela disse que antes de aceitar precisava consultar sua mãe, e ao voltar a resposta foi NÃO. Mesmo que a resposta não tenha os aproximado, o Ladrão sentiu o seu coração saltar dentro do peito, depois daquele instante, daquela breve conversa, daqueles olhares que teimavam em se cruzar algo nele mudaria para sempre. No dia seguinte ele acordou com um desejo enorme de revê-lá o quanto antes, um desejo que ele nunca havia sentido antes. Assim como por encanto o Ladrão viu seus sentidos buscarem uma só direção, a presença daquela baiana, e sua beleza virginal.

Horas mais tarde e ele já estava a sua espera, sentado na sala de alguém que conheciam em comum, sem querer muito, só pelo prazer de conversarem mais um pouco. Ela apareceu com o tempo curto, mas antes de seguir lhe convidou para uma procissão que aconteceria no dia seguinte em homenagem a padroeira da cidade, ele é claro topou na hora.

No dia seguinte ele andou uma procissão inteira ao lado dela, assistiu a missa, e depois saíram pra comeram juntos, mais tarde ficaram de papo no quintal da casa dela. Ele contou pra ela da vida bagunçada que vivia, o amor pelos amigos, o descaso com o colégio. Ela lhe falou do curso pré-vestibular que estava fazendo, do sonho de se casar com um amor verdadeiro, de ter filhos gêmeos, falou também do ex que há tinha traído. Os dois passaram algumas longas horas admiraram o céu repleto de estrelas, ele já não conseguia todo o encanto que tinha por ela.

Antes de ir embora o inesperado mais que esperado aconteceu, um beijo como nenhum outro que o Ladrão tenha provado antes, ele se aproximou levemente, com todo o pudor pra não assusta-lá, investiu, mas ela virou o rosto, ele disse que a queria, e só então ela cedeu. Ele manteve-se distante o bastante para que ela não percebesse sua excitação de adolescente. Com toda a leveza suas bocas agora se tocavam, os lábios sedosos da baiana o enfeitiçaram, sua boca era molhada e macia como nenhum outra que ele tinha beijado, beijava com vontade demonstrando todo o calor no seu beijo. Aos poucos toda aquela leveza ganhou intensidade, o seu coração palpitava, e cada palpitar era o mesmo que dizer, isso é o amor, o amor, o amor… Um amor a primeira vista, sem medida nem tamanho nasceu ali!

O combinado antes da viagem era passar uma semana e depois voltar pra Sampa, mas acontece na cidade o Festival de Inverno da Bahia, logo a Bahia, conhecida pelo calor e clima de verão o ano todo tem um festival de inverno. Os dois então decidiram adiaram a volta, iriam assistir ao primeiro dia de Festival que seria numa sexta-feira e viajariam no sábado. O Ladrão combinou de ir junto com a baiana já que este possivelmente seria o primeiro e único encontro dos dois.

cachecol

Na noite do Festival houve um show do Rappa, a banda predileta do Ladrão que a baiana também gostava muito, ela estava ainda mais linda, vestida de preto, decote aparente, explorando a sua sensualidade e seus atributos mais visíveis. Ele levou pra ela uma rosa, e naquela rosa todos os desejos de viver aquela paixão! Era uma noite fria, a baiana usava um cachecol para espantar o inverno. Durante o show para que os dois não se desgrudassem no meio da multidão ela os amarrou com as pontas do cachecol, um em cada extremidade —  Neste momento algum querubim safado passou e disse amém — Durante toda a noite os dois passearam, curtiram bastante e até tiveram aulas de tango no Festival! Ao voltar pra casa os dois ainda tinha animo para conversar, passaram a madrugada aos beijos, abraços e muitas descobertas, falaram de musica, cinema, relacionamentos. Os dois tinham gostos em comum, gostavam de Roupa Nova, literatura e muitas outras coisas… Ele só se foi quando o sol já se anunciava no horizonte, temendo a chegada do pai dela. Roubou dela o cachecol, e ela tirou dele a paz.

Então o Ladrão partiu, levou consigo as lembranças daquela baiana, o cachecol aquecia seu nas noites frias do inverno paulistano, mas não seu coração. Nascia assim o amor na sua forma mais subliminar, do jeito mais puro, o amor a distancia, esse amor que é quase platônico, onde a confiança esta em sentir, pois a única coisa que a distancia permite é sentir…

Autor: @robsonpnx