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E se eles fossem só um Zé?

O fim de semana foi marcado na mídia pela morte de duas pessoas. Mas, como assim, a morte de duas pessoas, se ao todo foram 32 assassinatos desde a última segunda-feira 16 de julho. A repercussão desse dois crimes está relacionada a classe social a qual os mortos pertenciam.

A noticia da morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, executado por PMs no Alto de Pinheiros, após uma abordagem mal feita, não para de repercutir na mídia, não só aqui em São Paulo onde tudo aconteceu, como no resto do mundo. E mesmo com imagens mostrando o fato dos PMs não se darem o trabalho de ligarem as sirenes e giroflex, para mostrar que estavam perseguindo o carro do publicitário, e os diversos tiros disparados contra um homem desarmado, o comandante interino da PM, Hudson Camilli, não admitiu erros por parte dos policiais. "Foi uma ação tecnicamente correta, porque houve a perseguição de um suspeito que desobedeceu à ordem de parada." Disse ele. Que ordem?

O outro crime que repercutiu na mídia em todo o mundo, foi o assassinato do bancário Tomasso Lotto, 26 anos, Italiano recém chegado a São Paulo e que não falava português. Tomasso foi morto numa tentativa de assalto no cruzamento das avenidas 9 de Julho e São Gabriel, no Itaim Bibi – novamente um bairro nobre da cidade – ele foi baleado no tórax, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Os dois criminosos fugiram e até o momento não há pistas.

O secretário de Segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, afirmou tratar-se de mais um crime dos vários que ocorrem na cidade. "É um a mais que ocorre na capital. A gente lamenta, o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e o Deic (Departamento de Investigações Contra o Crime Organizado) e estão fazendo todas as investigações no sentido de elucidar esse crime. Mas isso ocorre lá, ocorre na Cidade Tiradentes, ocorre em Itaquera. Lamentavelmente é a escalada da violência."

Em relação a execução do publicitário o secretário disse não faltar treinamento aos PMs e que o comando da corporação controla a tropa. "Controle absoluto", garantiu ele. "O comando está plenamente tranquilo de que tem o comando nas mãos. Não há nenhuma precipitação ou hipersensibilidade por parte dos policiais que trabalham na rua".

Entre 2006 e 2010, 2.262 pessoas foram mortas após supostos confrontos com PMs paulistas, mas o que a PM não sabe, é que confronto é quando os dois lados se atacam, e não quando há uma execução onde o outro lado não teve reação alguma. Nesse momento em que o mundo está de olho aqui por conta dos futuros eventos esportivos que vamos sediar nos próximo anos, não podemos deixar que aqueles que são responsáveis por nossa segurança deem respostas como as do secretário Antônio Ferreira Pinto, e a do comandante Hudson Camilli, que ao se depararem com a sua falta de competência, dão a população respostas vagas saindo pela tangente.

E se eles fossem só um Zé?

Estas duas mortes só estão sendo noticia porque aconteceram com pessoas com grande poder aquisitivo, pobre morre a todo momento, e nunca faz falta, se morre o Zé porteiro, o Zé faxineiro, o Zé pedreiro é só contratar outro pra colocar no lugar, mais rico quando morre causa um certo alvoroço, afinal quando a violência chega onde ele não deveria, causa pânico em quem tem né!

Autor: @robsonpnx

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O genocídio de Alckmin (4)

Educação e africanidades

Por Felipe Choco (Grupo Kilombagem)    

 Se fossemos categorizar o que humanamente representa um choque, poderemos dizer que temos dois tipos, ou duas fases: há aquele choque que de tão forte, nos gruda, nos derrete, nos paralisa. Outro tipo é o choque que nos expele, quase como em uma catapulta, que consciente ou inconscientemente nos mobiliza, tira-nos da inércia do corpo parado, sem movimento.

     A invasão das polícias e guardas locais e estaduais de São Paulo no bairro Pinheirinho em São Jose dos Campos (SJC) foi um Choque para além da Tropa. Mentiras, conversas e informações desencontradas, traições criminosas por parte do governo do Estado, quebra de pacto federativo, documentos judiciais praticamente adulterados, arbitrariedade e declaração de guerra, dentro do que foi calculado como um “estupro social” e a nítida expressão do “ódio ao povo trabalhador, pobre”.

     O que dizer a uma criança que aos 10…

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O genocídio de Alckmin (3)

Moção de repúdio à política do coturno em Pinheirinho:

“De um lado, pelo menos 1.600 famílias que lutam pelo direito de morar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), ocupação que tem oito anos de existência.

Do outro, mais de 2.000 policiais militares e civis cumprindo ordens da Justiça Estadual e da Prefeitura de São José dos Campos, em favor da massa falida da empresa Selecta, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas.

Ainda que não houvesse outras circunstâncias agravantes no caso, já seria possível constatar que as instâncias dos poderes executivo e judiciário fizeram a opção, em Pinheirinho, pela lei que protege a especulação imobiliária, em detrimento do direito das pessoas à moradia. Vence mais uma vez a política do coturno em prol do capital.

De um lado, bombas, armas, gases, helicópteros, tropa de choque. Do outro, dois revólveres apreendidos. Não há notícia de que tenham sido usados. Uma praça de guerra é instalada – numa batalha em que um exército ataca civis. Não há plano de realocação das famílias.

As que não conseguiram ou não quiseram fugir, ou receberam dinheiro para passagens para outras cidades, ou estão sendo mantidas cercadas, com comida racionada, como num campo de concentração.

A imprensa não pode entrar no local, não pode fazer entrevistas, e os hospitais da região não podem informar sobre mortos e feridos. O que se quer esconder? O Governo do Estado lavou as mãos diante do caso, assim como o Superior Tribunal de Justiça. O Governo Federal tardou em agir.

A chamada “função social da propriedade”, prevista na Constituição Brasileira, revelou-se assim como peça de ficção, justamente onde a ficção não deveria ser permitida. Mais uma vez, o Estado assume o papel de “testa de ferro” para as estripulias financeiras da “selecta” casta de milionários e bilionários.

A política do coturno em prol do capital vem ganhando espaço. Assim está acontecendo na higienização do bairro da Luz, em São Paulo, preparando-o para a especulação imobiliária; assim vem acontecendo na repressão ao movimento estudantil na USP, minando a resistência à privatização do ensino; assim acontece no campo brasileiro há tanto tempo, em defesa do agronegócio. Os exemplos se multiplicam.

E não nos parece fato isolado que, hoje, a quase totalidade dos subprefeitos da cidade de São Paulo sejam coronéis da reserva da PM. Nós, trabalhadores artistas, expressamos nosso repúdio veemente a esse tipo de política. Mais 1.600 famílias estão nas ruas: a lei foi cumprida. Para quem?”

Autores: Juliana Rojas e Marco Dutra