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O último desejo…

Está é uma história sobre desejos, daquele tipo que as pessoas tentam reprimir a todo custo na tentativa de se enquadrar na sociedade e sua metodologia conservadora, aqueles que buscam a todo tempo mostrar aos outros que estão dentro dos padrões para serem aceitos.

Luís e Leticia estavam noivos há longos 3 anos, faltava pouco para eles derraparem na sagrada e lamacenta curva do “até que a morte os separem”, já de casamento marcado, festa organizada e convites por entregar, até então tudo normal, mas antes de se unirem pra sempre de corpo, alma, coração e contas pra pagar, decidiram proporcionar um ao outro uma ultima aventura lasciva, os dois então combinaram, que antes de se casarem realizariam suas últimas fantasias, independente de quais fossem…

Leticia era uma moça de família tradicional, tinha descendência italiana, nascida e criada nas ruas da Mooca, era a típica paulistana com traços caucasianos, com a pele levemente morena, os olhos cor de mel, e a boca carnuda que talvez fosse o que mais saltasse aos olhos, ora timidamente Lolita, inspirava cuidados. Ora fatalmente fulminante, inspirava mais cuidados ainda. Quando Luís lhe fez a proposta ela pediu algo simples — quer dizer — simples perto do que Luís viria a pedir depois. Ela só queria passar um fim de semana viajando com as amigas. Só isso! E que mal poderia acontecer numa viagem assim? Nenhum, apesar de ser uma viajem para uma micareta fora de época, quase um Spring Break à brasileira em Alfenas – MG. Luís sempre confiou cegamente em Leticia, e ela também nunca lhe deu motivos para pensar o contrario, seu ex era um cafajeste, ogro, que ela não queria ver nem pintado de ouro. Ela sempre foi transparente em tudo o que fazia, ele só desconfiava de sua pontualidade, ninguém honesto é tão pontual assim, ainda mais uma mulher com mil e um afazeres numa cidade como São Paulo, o que era uma virtude dela para ele era motivo de desconfiança. Mas ele deixou que Leticia viajasse com suas amigas, curtisse, e vivesse intensamente seus últimos momentos antes de se prender a doce rotina de dividir a mesa do café todas as manhãs.

De todos os pecados que Luís podia cometer na vida, pedir à Letícia um ménage antes do casamento foi o pior deles. A luxuria é como uma trilha de roupas pelo corredor, é a prima vagabunda do amor. Ela topou, mas quis escolher quem seria a terceira peça do ménage, não queria seu futuro marido propondo indecências as mulheres por ai. Durante a procura Leticia se viu diante de algo que sempre reprimiu dentro de si, o desejo por outras mulheres. Desde sua adolescência nas aulas de educação física, ou quando se reunia para fazer trabalhos de escola com as amigas, seu olhar para as outras meninas era prolongada, um olhar de quem enxergava detalhes.

Em sua busca Leticia pensou em usar os serviços de uma profissional, mas hesitou. Pensou nos risco que poderia correr. Eis então que surge Elisa, uma amiga carioca com quem trabalhava, e também havia participado da viagem à Minas. Elisa não é dessas cariocas de beleza exuberante ou exótica, tinha um humor inteligente e bufão, com risada escrachada que contamina o ambiente, falava abertamente besteiras da rotina com seu vozeirão grave, tinha um jeito ansioso. Há um certo sorriso permanente em sua boca, levemente malicioso, delicioso. Seu maior defeito era ter dedo podre para homens, só se envolvia com homens casados ou problemáticos, mas ela ficava de quatro mesmo era por homens casados e problemáticos! Quando Letícia lhe fez a proposta de fazer um ménage com seu futuro marido, Elisa descobriu que não gostava de homens, gostava mesmo era de problemas.

Luís consegui o que tanto queria, e de quebra ainda uniu o tempero peculiar da carioca Elisa com a personalidade agridoce da paulistana Leticia, e que mistura deliciosa. Luís se deleitou como se fosse um sultão a provar o melhor de seu harém. Idiota, pensou estar se divertindo, realizando sua fantasia, mas acabou revelando para aquelas duas amigas um lado reprimido. O que era pra acontecer uma única vez, não saia mais da cabeça delas. Quando se encontravam no café, ou no elevador um arrepio subia pela espinha de ambas fazendo a pele toda se arrepiar, era a paixão. E paixão, meus amigos, é coisa de pele, e isso eu nem preciso dizer. Da pele para dentro, da pele para fora, o termômetro oscilava quando as duas estavam no mesmo local.

Depois de algum tempo tentando reprimir aquele desejo dentro delas, partiu de Elisa o convite para que Leticia fosse a sua casa, com o pretexto de buscar uns CDs. No apartamento de Elisa, mesmo sabendo do perigo que corria Leticia se deixou levar, ao som de Nora Jones e sob o efeito do vinho tinto, despida de seus dramas e temores ela se entregou aquela súbita paixão que ardia dentro dela. Ali então estavam elas, donas de uma delicadeza envolvente, as duas se amaram da maneira que queriam, sem pudor, sem obrigação de dar prazer a outro homem, sem ménage, aproveitando cada gesto, cada toque suave e feminino da parceira. Desejo é assim, seduz, atormenta e acaba revelando o lado B das pessoas. Por mais forte que ela seja, é impossível segurar.

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Leticia saiu aos prantos da casa de Elisa, com as emoções a flor da pele, transtornada. Sabia o que tinha que fazer, mas sentia um medo enorme do que iria ter de enfrentar. Como que sua família iria encarar aquilo que nem ela tinha coragem ainda, como poderia uma mulher noiva, de casamento marcado, jogar tudo pro alto pra se relacionar com outra mulher? “Isso não é certo” vão dizer. “Sua nona vai enfartar, você quer matar a todos nós!”. Enquanto dirigia, chorava e imaginava as pessoas falando coisas do tipo para ela, coisas que atormentavam ainda mais as suas ideias.

Entre o certo e o errado, Leticia escolheu ser feliz. Arrumou as malas, conversou com sua mãe, escreveu uma carta pra Luís agradecendo por tudo, e principalmente por libertar aquilo que ela escondeu uma vida todo, inclusive dela mesma. Meteu o pé e foi baixar no apartamento de Elisa, pediu pra não ser anunciada, bateu na porta e esperou que ela abrisse. Quando Elisa abriu, ela sorri, as duas sorriram, Elisa puxou ela pela alça da calça e as duas foram assim atracadas num beijo apaixonado até caírem na cama.

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Pobre Luís, no desejo de realizar um fantasia revelou o verdadeiro “eu” da mulher que amava. Elisa e Leticia seguem juntas, moram juntas, mudaram de emprego, e vivem muito bem apesar dos olhares inquisidores dos moralistas que ainda não se acostumaram com a diversidade. Luís padece das zumbarias dos colegas por ter sido trocado por outra mulher.

Tolice tentar ir contra seus instintos, eles regem quem somos, e mais cedo ou mais tarde eles afloram.

Autor: @robsonpnx

E mundo continua mundo…

Olá turma… Andei sumido nos últimos meses de 2012 né? Foi mau, mas a correria não tem me dado descanso ultimamente. Prometo, quem sabe melhorar em 2013. O blog esta de cara nova, e nesse primeiro post de 2013 quero deixar um pequeno balanço, e uma mensagem para que a vida lhes traga boas novas em 2013!

O meu 2012 não poderia ser mais louco — surpreendentemente louco — do que foi. Contei boas historias aqui, outras ali, e muitas outras ainda esperam para serem contadas. As meninas também dividiram conosco muitas historias boas, e isso só faz desse blog uma salada de diversidade, a grande mistura de ideias que compõem um pouco de nossos mundos.

Mas, o mais surpreendente dos acontecimentos de 2012 sem duvidas, foi em minha vida que junto com outra vida dará vida a uma nova vida, não entendeu? Vou ser pai, isso mesmo, eu vou ser pai, presente que a cegonha vai me entregar provavelmente em julho de 2013. Medo, terro e aflição, mas será com muita alegria que eu receberei essa bem amada criança em minha vida. E assim lá vamos nós para 2013…

Desejo que em 2013 você;

2013 Autor: @robsonpnx

Sabe o que é…

Enquanto ela aguarda ele chegar, ambos trocam sms freneticamente, uma ansiedade toma conta dela!

Ele para o carro em frete ao portão, ela ouve o barulho, o cachorro late anunciando a chegada dele, mas ela só sai de casa depois que ele a chama.

Parei com a frente do carro fechando um pouco da garagem do vizinho, ele não vai reclamar?

Beijam-se burocraticamente ainda com a porta aberta. Ele entra, ela tranca, ele tira as coisas dos bolsos e deixa em meio a bagunça da estante. Senta-se no sofá, ela pega um cigarro, abre a porta da varanda, e fuma enquanto fala.

…Sabe o que é amor! A gorda do trabalho esta me tirando do serio, quando ela esta perto minha cabeça parece que vai explodir. Minha mãe não para de me pedir dinheiro e anda gastando as turras. Minha irmão não consegue dar jeito no marido dela, acredita que ele tá desempregado de novo?

Ela da as últimas tragadas com uma certa pressa, e enfim sobe sobre ele no sofá. Lança a butuca janela afora. Abre a braguilha dele, levanta a saia, esta sem calcinha, se encaixa de vagar. Tira anel, pulseiras e colares. Joga-os displicentemente na mesa de centro. E fala sem parar, enquanto transam no sofá.

…Sabe o que é amor! Não suporto mais aquela gorda se intrometendo em tudo, qualquer assunto que eu e as meninas conversamos ela se mete, sempre com algum comentário inconveniente que nos reduza. Ai assim, continua tá gostoso… E minha mãe então, sempre me liga com uma novidade, querendo dinheiro pra alguma coisa que ela quer fazer com ela ou na casa. Ai, tá bom, não para, ai, gostoso, gostoso, gostoso, vai…

Ela goza. Joga a cabeça sobre o ombro dele. Respira fundo. Sussurra no ouvido dele:

Delícia…
Eu estava com saudades
É?
É.
Eu também.
Você também?
É.
Estava nada.
Claro que estava. Não deu pra notar?
É, deu.”

Sorriem. Beijam-se. Ela se levanta rápido, ajeita a saia e vai ao banheiro. Pergunta lá de dentro:

Você quer vir pra cá na quarta? Se não der, me manda uma mensagem pra eu não ficar te esperando.

Volta ajeitando os cabelos. Recoloca anel e pulseiras. Ele checa o celular.

Por que você nunca desliga o celular?
É vício, estou tentando me controlar
Você namoraria comigo?
Está querendo namorar agora?
Tenho pensado nisso.
E o que aconteceu com a mulher bem resolvida que mora sozinha e é independente?
Se cansou.
Que nada. Você só me quer porque cozinho melhor do que você.
Quero você por perto pra cuidar de mim.
Você não me aguentaria.
Não?
Tenho que ir…
Fica mais, porque você está sempre fugindo, passa a tarde comigo!
Você é tão doce. Me sinto bem aqui. Me sinto leve… Mas, tenho que ir!

Ela se senta de novo no colo dele. Abraça. Volta a se excitar. Tira anel e pulseiras, joga-os na mesa de centro. Enquanto ela fala, transam novamente:

…Sabe o que é amor! Se você vir morar comigo, vai me deixar mais calma, vai equilibrar meus chacras, me deixar mais centrada. Você não é como meu cunhado, você toma conta das coisas, sabe a hora certa pra falar, não é acomodado. Nossa que gostoso… Minha irmã fez a pior escolha pra casa, acho que ela tem o dedo podre. Você é meu homem, meu amor. Ai, tá gostoso… Assim, não para, vai, vai…

Ela goza novamente. E se deixa quase desmaiar com as pernas tremulas ainda sobre ele. De repente ele fica aflito, levanta-se rapidamente, pega as coisas na estante, e as coloca de novo no bolso.

Você é tão gostoso, queria que ficasse!

Ele não responde, ela ajeita-se, ele checa novamente o celular e dirigi-se até a porta, despende-se com um beijo rápido. Ela sorri o olhando da porta enquanto ele entra no carro.

Então, quarta?

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Nunca mais se viram. Não respondeu as mensagens dela, nem os e-mails, não ligou. A palavra “namorar” contaminou a relação dos dois. Também, mulher que só sabe reclamar de tudo, ninguém merece…

Autor: @robsonpnx
Imagem: Esra Roise