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“Faxina” antes das eleições!

Eu passei o ano de 2011 inteiro vendo e lendo noticias sobre a Cracolândia, e de como aquela região da cidade estava abandonada, e o poder publico não fazia nada, vi parlamentares passearem na cara do problema dentro de um ônibus blindado, vi a guarda-civil e a PM passarem na frente de traficantes em pleno exercício do tráfico e fazerem simplesmente nada! Ai então chega 2012 e a cena muda. Desde a última segunda-feira, a região da Cracolândia vem sendo foco da segunda fase da ação Centro Legal, projeto iniciado em 2009. Ai vi a PM, cuja presença, até então, era restrita a 12 policiais na região virar uma peça chave da ação, com a ajuda do Batalhão de Choque e Cavalaria caíram de pau em cima dos Zumbis do Crack, e até agora prenderam apenas dois traficantes — mulheres, com mais de cem pedras, cada — e três foragidos da justiça. Estima-se que vivam ali 400 adultos, 60 crianças e 20 grávidas dependentes de Crack. E fica assim, as viaturas estão lá para não deixar ninguém voltar.

Como resultado temos uma nova cara para a Cracolândia?

Logico que não, o comando da PM é tão idiota quanto o Kçabiba, que orquestra uma “faxina” dessas — em ano de eleição — e não leva um médico, um psicólogo, um psiquiatra, e vão jogando o povo na rua. No depoimento o irresponsável que fala pela PM, diz que tem várias parcerias, uma delas é o Choque, grande merda levar o Choque para espantar Morto-Vivo que nem consegue andar direito. O espetáculo continua, e o imbecil fardado, diz que quem quiser ser encaminhado para o hospital, assim será. Tá bom, um viciado, vai chegar num policial e dizer – Senhor me interna ai?

Ah! como diz o Datena, me ajuda ai oh!”

São Paulo agora virou um hotel das estrelas. Famílias inteiras dormem ao relento nas ruas centrais e bairros próximos ao centro, usuários estão na rua, e o consumo está igual, só que mais espalhado pela cidade, vão andando, de um lado pro outro, e a PM olhando, fingindo que está agindo, Vira e mexe revista alguém, não acha nada, tá tudo na mente já dizia o D-2.

É foda eu sei, uma difícil missão, estão agredindo as vítimas, mas está livre quem promove a opressão. Estender as mãos, apoiar deveria ser atitude comum a todos. Podem ser apenas vagabundos e viciados, e dai? Para nós importa que sejam seres humanos e, portanto dignos de compaixão e cuidado. São pessoas em extremo estado de pobreza, humilhação e degradação humana. Doentes, feridos pela vida, que deveriam despertar em nós a mais profunda compaixão. São vítimas de um mundo desumano e de uma sociedade dura e cruel com os menos aptos. E mesmo por isso precisam ser socorridas, atendidas, tratadas e abrigadas.

CRACK

Se você acredita que alguém possa vencer o vicio e voltar a viver como um cidadão normal, longe das drogas. Compartilhe essa imagem no seu mural! Por que a Cracolândia só existe porque o Estado deixou de cumprir seu papel de fiscalizar e zelar pela saúde de todos nós.

Autor: @robsonpnx

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Bora “dichavar” a ignorância!

A tempos venho dichavando este post por se tratar de um assusto que eu diria um tanto delicado para não dizer qualquer outra coisa, falar sobre, ou até mesmo citar a palavra “maconha” em alguns lugares, entre pessoas caretas pode gerar um certo desconforto, preconceito, ou até mesmo discriminação.

Assisti na semana passada o documentário “Quebrando o Tabu” (vídeo abaixo). Onde do lado de quem pensa diferente, FHC, mesmo que tardiamente, se pronuncia a favor da “regulamentação”, que é bem diferente de “liberar”. Regulamentar o uso não significa liberar geral, nem mesmo apoiar o narcotráfico. Não da para imaginar um mundo onde a maconha esteja liberada e os gestores do seu negócio tenham metas para aumentar o seu consumo per capita. As estratégias que seriam arquitetadas para que o ambicioso e jovem gestor merecesse seu bônus e sua promoção por ter aumentado as vendas de maconha junto aos seus segmentos-alvo?

Seja por prazer, por curiosidade, medo, para fugir dos problemas, para resolve-los, para encontrar Deus ou se jogar em pecados, a fome que o homem tem por alterar sua dita “normalidade” é parte crucial da nossa história e do nosso destino. Da criança que gira obsessivamente para cair tonta, e rindo, no chão até o mais inconsequente dos psiconautas ou o nóia do centro, passando, provavelmente, por você, todos buscamos alterar nossa consciência de alguma forma de vez em quando — há em nossa espécie um desejo profundo em colocar a consciência para funcionar sob novos parâmetros. Pouco importa se, pessoalmente, gostamos ou não de drogas. Mas é preciso, em nome da sanidade pública, entender que quem as usa não é simplesmente criminoso, doente, covarde ou corajoso — é, antes de tudo, humano e depois de décadas de uma mal sucedida guerra contra as drogas, ainda não sabemos lidar com uma das mais básicas e complicadas necessidades humanas a de deixar de ser, sair de si, pra ser aquilo que realmente somos. Toda droga é ruim quando usada para alienar, entorpecer. Mas pode ser boa para despertar a consciência…

Da mesma forma como a lei seca norte-americana alimentou a máfia, que de quadrilha étnica de gueto virou uma força fora de controle, a proibição do consumo de maconha e de outras drogas fez dos narcotraficantes uma das grandes e globalizadas tragédias do mundo contemporâneo. Combater a maconha não leva a lugar nenhum. Combater a ignorância sim, de quem fuma e de quem não fuma. Assistimos não faz muito tempo o trágico resultado do despreparo da corporação no dia da #marchadamaconha que repreendeu os manifestantes com muita brutalidade e violência, vi fotos de PMs que tiraram a identificação para poder bater com mais liberdade, esse mesmo despreparo é uma das justificativas dos estudantes da USP preferirem o risco de serem assaltados à presença da PM no campus. Pra quem não se lembra, eles conquistaram esse direito na época da ditadura.

Hoje a legislação brasileira com relação a descriminalização do usuário é toda uma grande hipocrisia. Ela confunde o usuário ocasional com o viciado, mistura os dois. Ela aplica prestação de serviços à comunidade por cinco meses nos dois casos. Essa medida é de bom tamanho para o viciado, desde que com tratamento médico. Mas aquele usuário ocasional, que usa droga para ir numa festa, tem que receber medidas mais duras. Ele conscientemente sustenta o tráfico. Não da pra ver um jovem descolado de classe média fumando com sua galera e não pensar que ele está mantendo o tráfico de armas, o assassinato de menores carentes e a corrupção dos governos. E todo aquele que se arrisca a ir numa biqueira comprar droga, sabe que é proibido, então comprar em maior quantidade para abastecer os amigos, se tornando assim um pequeno traficante.

Amigos médicos me falam que a maconha não é uma droga tão inocente assim. Eu concordo, mas não vou bater ou trancar ou prender ninguém por 1 motivo tão besta. E também discordo de quem diz uma estupidez como “leva a outras drogas”, ou “começa com um baseado, depois rouba, furta, mata…

Um outro amigo americano defendeu quando a Suprema Corte permitiu os exames antidrogas em empresas nos EUA. Ele diz que invade a privacidade, mas não quero entrar num avião cujo comandante fumou um baseado. E tenho meus motivos para isso.

Acho que nenhum piloto de um AIRBUS fumará um beque antes de uma viagem em que cruzará os oceanos. Como não beberá cachaça, que é legal e vende nos bares ao lado do portão de embarque. Ele poderá cheirar cola num saquinho no banheiro da primeira classe. Não, né?

E se o filho de alguém se perde nas drogas — sim, existe, acontece — melhor se perguntar se a culpa é das drogas ou da estrutura pessoal ou familiar. Será sempre mais fácil culpar a droga do que a educação.

Para que todos fiquem cientes, eu sou a favor da discriminação, acho que o cultivo artesanal pode combater o narcotráfico. O viciado e dependente químico deve ser tratado pelo estado, independente do vicio que tenha, se é crack, maconha, álcool, cocaína ou qualquer outra coisa. Devemos empenhar esforços em prol da educação e informação de que tais drogas podem fazer mal, e o mal que cada uma pode fazer.

Autor: @robsonpnx

Toma lá, da cá!!!

Se os índios foram mortos à vista, eles deixaram para os ocidentais a morte a prazo: o tabaco, que dizimou gerações e gerações com doenças como câncer no pulmão, enfisema e insuficiência cardíaca, até a chegada dos europeus no continente americano os brancos não tinham o habito de tragar fumaça, e da mesma forma que os índios se tornaram alcoólatras com facilidade por conta dos engenhos de cana, os europeus também viciaram no tabaco com a mesma facilidade.

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A planta significa para os índio um ligação espiritual, e era usada em cerimonias religiosas, lideres indígenas pregavam em transe pelo fumo excessivo do tabaco, algumas tribos fumavam antes das guerras para aliviar dores e também por prazer.

Nas colônias do Caribe e do Brasil, os poderes do tabaco logo conquistaram os brancos, o que não deixou a Inquisição nada feliz, algumas pessoas foram presas e torturadas pelos inquisidores pois diziam eles que “somente o diabo poderia dar a um homem o poder de soltar fumaça pela boca”.

Mesmo com a não aceitação da Inquisição o sucesso da planta era tanto que Luiz Gois, um dos fundadores da capitania de São Vicente, resolveu levar o tabaco para Portugal. Na corte, a planta chamou a atenção de Jean Nicot, embaixador francês em terras lusitanas. O diplomata levou a novidade a sua rainha em 1560, Catarina de Médici adorava novidades, e achou o tabaco sensacional, fazendo a planta cair no gosto de toda França. Jean Nicot teve papel importante na difusão do tabaco pela Europa, seu sobrenome foi emprestado para o nome cientifico da erva (Nicotina Tabacum), assim como o da substancia “nicotina”.

Graças a esses dois personagens o Brasil chegou a ter o tabaco como seu segundo maior produto exportado, ficando atrás apenas da cana-de-açúcar. É essa a historia da herança maldita que os índios deixaram para os brancos, a morte a prazo, com gerações e gerações de doentes de câncer no pulmão, enfisema, insuficiência cardíaca etc. Mas, por outro lado, parece que, na era da democracia digital (em que os representantes eleitos tudo veem e quase tudo podem), estamos de volta, em alguns aspectos, ao autoritarismo e à intolerância de 500 anos atrás. Se antes era a sagrada Inquisição, ancorada em Deus, agora é o Estado que tudo regulamenta, vigia e pune, ancorado no saber médico/científico. Um e outro consideram que somente o diabo poderia levar você a soltar fumaça pela boca. E a tomar uma cerveja gelada e dirigir. E a acender… enfim, essa é a ideia.

Autor: @robsonpnx
Imagem: Juca