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O genocídio de Alckmin (4)

Educação e africanidades

Por Felipe Choco (Grupo Kilombagem)    

 Se fossemos categorizar o que humanamente representa um choque, poderemos dizer que temos dois tipos, ou duas fases: há aquele choque que de tão forte, nos gruda, nos derrete, nos paralisa. Outro tipo é o choque que nos expele, quase como em uma catapulta, que consciente ou inconscientemente nos mobiliza, tira-nos da inércia do corpo parado, sem movimento.

     A invasão das polícias e guardas locais e estaduais de São Paulo no bairro Pinheirinho em São Jose dos Campos (SJC) foi um Choque para além da Tropa. Mentiras, conversas e informações desencontradas, traições criminosas por parte do governo do Estado, quebra de pacto federativo, documentos judiciais praticamente adulterados, arbitrariedade e declaração de guerra, dentro do que foi calculado como um “estupro social” e a nítida expressão do “ódio ao povo trabalhador, pobre”.

     O que dizer a uma criança que aos 10…

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O genocídio de Alckmin (3)

Moção de repúdio à política do coturno em Pinheirinho:

“De um lado, pelo menos 1.600 famílias que lutam pelo direito de morar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), ocupação que tem oito anos de existência.

Do outro, mais de 2.000 policiais militares e civis cumprindo ordens da Justiça Estadual e da Prefeitura de São José dos Campos, em favor da massa falida da empresa Selecta, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas.

Ainda que não houvesse outras circunstâncias agravantes no caso, já seria possível constatar que as instâncias dos poderes executivo e judiciário fizeram a opção, em Pinheirinho, pela lei que protege a especulação imobiliária, em detrimento do direito das pessoas à moradia. Vence mais uma vez a política do coturno em prol do capital.

De um lado, bombas, armas, gases, helicópteros, tropa de choque. Do outro, dois revólveres apreendidos. Não há notícia de que tenham sido usados. Uma praça de guerra é instalada – numa batalha em que um exército ataca civis. Não há plano de realocação das famílias.

As que não conseguiram ou não quiseram fugir, ou receberam dinheiro para passagens para outras cidades, ou estão sendo mantidas cercadas, com comida racionada, como num campo de concentração.

A imprensa não pode entrar no local, não pode fazer entrevistas, e os hospitais da região não podem informar sobre mortos e feridos. O que se quer esconder? O Governo do Estado lavou as mãos diante do caso, assim como o Superior Tribunal de Justiça. O Governo Federal tardou em agir.

A chamada “função social da propriedade”, prevista na Constituição Brasileira, revelou-se assim como peça de ficção, justamente onde a ficção não deveria ser permitida. Mais uma vez, o Estado assume o papel de “testa de ferro” para as estripulias financeiras da “selecta” casta de milionários e bilionários.

A política do coturno em prol do capital vem ganhando espaço. Assim está acontecendo na higienização do bairro da Luz, em São Paulo, preparando-o para a especulação imobiliária; assim vem acontecendo na repressão ao movimento estudantil na USP, minando a resistência à privatização do ensino; assim acontece no campo brasileiro há tanto tempo, em defesa do agronegócio. Os exemplos se multiplicam.

E não nos parece fato isolado que, hoje, a quase totalidade dos subprefeitos da cidade de São Paulo sejam coronéis da reserva da PM. Nós, trabalhadores artistas, expressamos nosso repúdio veemente a esse tipo de política. Mais 1.600 famílias estão nas ruas: a lei foi cumprida. Para quem?”

Autores: Juliana Rojas e Marco Dutra

O genocídio de Alckmin (2)

CASO PINHEIRINHO: Não sou contra o direito de
propriedade, sou a favor do bom senso!

Em São José dos Campos, cerca de 1,6 mil famílias ocupam a área de mais de 1 milhão de m² que é “de propriedade” do “investidor” Naji Nahas, sujeito que chegou a ser preso na operação Satiagraha da Polícia Federal, em 2008. Como tem grana, foi liberado três dias depois. Ele também ficou famoso no episódio da quebra da bolsa do RJ.

Enfim, a área do Pinheirinho faz parte da massa falida da empresa Selecta S/A, de Naji Nahas (ah, ele também deve milhões em impostos à prefeitura de São José dos Campos, por que a prefeitura não cobra ele?).

O prefeito Eduardo Cury (PSDB) por anos vem resistindo para regularizar a área e essa semana até o Ministério Público está acusando a prefeitura de São José dos Campos de omissão. Há algum tempo os governos federal e estadual estão tentando ajudar na regularização da área, mas o prefeito tucano segue se omitindo.

Conforme relata o blog Conteúdo Independente, ”desde 2004 o senhor Naji Nahas, proprietário do terreno, exige a desocupação. Desde 2004 a prefeitura do PSDB de São José dos Campos encara o ‘problema’ do Pinheirinho como um caso de polícia. Nesse meio tempo, o número de habitantes cresceu, os lotes viraram casas, comércios e igrejas, e o terreno abandonado por mais de 30 anos virou um bairro.”

Destaco mais este trecho: “O que está em jogo há oito anos em São José é a disputa pelo direito à moradia, à liberdade de organização política, à justiça social e a luta contra a desigualdade econômica e todas suas consequências degradantes; em última instância é a luta pela dignidade humana.”

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Na sexta-feira (20/01), a reintegração de posse havia sido suspensa pelo Tribunal Regional Federal – 3ª região. A juíza MÁRCIA LOUREIRO (guardem esse nome), no entanto, não reconheceu essa liminar e manteve a ordem de reintegração, que resultou na violenta invasão do Pinheirinho esse domingo.

Por volta das 11h, um oficial da Justiça foi até a ocupação entregar uma decisão do juiz federal de plantão Samuel de Castro Barbosa Melo, suspendendo a ação. No entanto, o juiz estadual Rodrigo Capez (irmão do deputado estadual Fernando Capez, DO PSDB), que acompanha a reintegração, disse que havia um “conflito de competências” e não acatou a ordem do juiz federal.

Enfim, é triste ver a truculenta PM de Alckmin agindo a favor do “investidor” Naji Nahas.

Autor: Vinícius Bocato