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Previsão do Tempo!

No dia da maior tempestade do ano, ela entrou na redação como protagonista de um romance nunca escrito no qual eu sou só um figurante. Eu olhava a chuva pela janela quando a vi cruzar o corredor na direção da minha mesa. Usando uma blusa de seda vermelha muito fina que, apesar de larga, tinha um decote diagonal transparente que exibia sutilmente um sutiã rendado preto. Com classe, ela andava devagar, decidida e cuidadosamente maquiada naquela tarde de temporal, como se recusasse à natureza o gosto de vê-la na rua parecendo qualquer coisa menos do que esplêndida. As cabeças virando para acompanhar seu caminhar não pareciam lhe incomodar enquanto ela se achegava, vagarosamente, para me dizer "oi" com um já completo sorriso no rosto.

Esses gestos incompletos
Olhos tão repletos de te desejar…

Não sei se a culpa é da chuva ou do cenário; do clima ou das pessoas que me perguntaram por ela. Sentimento não planejado, não posso conte-lo… Eu saio nas ruas imaginando se é possível um encontro casual. Hoje não foi o meu dia de sorte. Veio a saudade da sua presença, do seu heroísmo e daquele sorriso. Eu senti saudades do seu abraço, daquele abrigo. Esqueci os seus defeitos e me martirizei por não ter mais os seus beijos.

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Deu na previsão do tempo que ele vai mudar, o calor vai embora e parece até que vai chover… Na nossa caixa de e-mails secreta há uma nova mensagem, o conteúdo, um simples “oi”. Eu conheço bem esse nosso código, sei que ela está na cidade, eu já entendi o recado! As 17hr eu desligo minha maquina, pego o elevador, e parto ao seu encontro. Sempre fica no mesmo hotelzinho da rua Augusta, o mesmo quarto que reserva com semanas de antecedência — Metódica como sempre — Melhor do que friozinho fora de época, só fazer sexo com você no friozinho fora de época.

Não quero futuro, só te quero presente, fora da minha mente e pele na pele.

Autor: @robsonpnx
Imagem: Esra Roise

Não mexe nas minhas gavetas!

Quando eu era pequeno minha mãe sempre dizia que “criança que brinca com fogo mija na cama! Meu vô falava que “quem com fogo brinca, chamuscado sai! Mas ninguém nunca me disse que brincar com o fogo alheio é que é perigoso de verdade e pode causar danos maiores do que qualquer queimadura de terceiro grau! Com o passar dos anos aquela sensação gostosa das brincadeiras, vão se tornando jogos que não se concluem, tem mais reticências do que pontos-finais.

Nesses jogos, quem dita as regras nem sempre é o que vai levar vantagem, se um dos lados tentar encontrar mais que gozo, vai acabar se perdendo no caminho, mas tudo bem; provocar é que é gostoso…

Mãos, línguas, bocas, amassos, palmadas,  mordidas, arranhões e puxões de cabelo… Estas são armas que se pode usar! Sofás, carpetes, mesas, chão, pia da cozinha, maquinas de lavar, escadas de incêndio, banco de trás do carro e no da frente também, acostamentos, estacionamentos, garagem, redes, e até mesmo a cama servem de tabuleiro…

Então o jogo começa:

 

Boca na Boca

Boca no Corpo

Mão Naquilo

Aquilo na Mão

Boca Naquilo

Aquilo na Boca

 

Inverta a posição dela, ou… “quem fez passará a ser feito”

 

AQUILO NAQUILO…

 

Rasga a roupa, agarra na cintura, revira os olhos, prende entre as pernas, quebra a cama, deixa marcas no pescoço, fale palavrão… Só não pode provocar e depois fugir, ai é golpe baixo! Também não pode brincar no automático, tem que ter TESÃO no jogo, encantar, seduzir e não deixar esfriar a febre!

Mas, esse jogo tem seu lado perigoso, é quando um dos oponentes se deixa levar além da conta, deixa de encarar como um jogo, e começa a procurar no outro, não um parceiro para peripécias lascivas, mas sim o final do conto de fadas, (Por favor né gente). Ai a porra fica seria, e perde a graça, porque machuca, já ia me esquecendo de falar, aprendi também com a mãe de uma amiga que “coração é terra que ninguém passeia”…

Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada…
— Pode atrasar um pouco mais, porque o jogo esta divertido!

Bom fim de semana pra vocês, se forem brincar/jogar usem camisinha!
E não mexe nas minha gavetas…

Autor: @robsonpnx

Confia em mim Amor…

Estava eu pelo Rio esse fim de semana, quando um amigo deu a ideia de conhecer a área de lazer dos cariocas vulgo Vila Mimosa, lá eu ouvi uma historia que precisa ser contada aqui. Me destaquei um pouco da galera para não é da sua conta, quando uma Prostituta se aproximou para me oferecer seus serviços, eu disse a ela que não queria e lhe pedi um cigarro pra puxar assunto, (sim eu converso com prostitutas). Seu nome de guerra é Ana, por coincidência o mesmo nome da minha mãe, e eu disse isso a ela! Engatamos então naquela conversa fiada que só acontece por acaso no meio da madrugada, retribui o cigarro lhe pagando uma cerveja, e perguntei a ela como era trabalhar por ali no meio daquela bagunça. Ela me contou as miudezas e de quebra ainda ganhei uma historia.

Antes de se tornar prostituta, Ana era amante de um certo Vereador carioca, do qual infelizmente não guardei o nome. Um homem influente que lhe proporcionava diversos confortos como apartamento de frente pro mar, e carro com motorista. Ana viveu essa vida de pseudo rainha por 7 longos anos. Sempre acreditou que ele largaria a esposa quando as crianças crescessem, e então os dois se casariam e viveriam felizes, e então ela poderia viver uma vidinha de dona de casa, cozinhando e brincando de amar com o ele, mas isso nunca aconteceu.

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Certa vez estavam num Motel na Barra, quando o mesmo foi invadido por um grupo de assaltantes, pegaram os dois bem no meio da sacanagem, o tal Vereador estava vendo filme pornô enquanto Ana excitava seu sexo. Os bandidos vinham pra fazer o rapa em todo mundo, mas quando viram o relógio caro e a carteira recheada do Vereador, logo notaram que ali não estava um bacana qualquer! Um dos bandidos o mais mal encarado, alto, magro, negro, de rosto chupado, aquele tipo que da medo só de cruzar pelo caminho, grudou os olhos em Ana e não tirou mais. Abraçado com Ana na cama, o Vereador tentou contornar politicamente a situação — Podem levar tudo que quiserem, só não façam nada conosco, ela é minha amante e por conta disso não vou chamar a policia — O bandido mal encarado sai do quarto por alguns instantes, enquanto os outros riam entre si, ao voltar trazia consigo uma camisinha nas mãos, percebendo o que se precipitava a acontecer o vereador voltou-se para Ana e tentou acalma-la!

— Confie em mim Amor…

Foi o que disse o Vereador olhando nos olhos dela — Esse homem certamente vai querer fazer sexo com você, eu te peço que fique calma e relaxe, assim ele não vai fazer nenhuma outra maldade — Ana o olhou com cara espanto, como pode o homem que ela ama a entregar assim sem ao menos tentar defender sua honra. Os demais bandidos saíram do quarto, e nele ficaram apenas o mal encarado, Ana e o Vereador — Venha cá — Chamou o mal encarado, e Ana se dirigiu tremendo até ele, por alguns instantes ele sussurrou no seu ouvido. Ela voltou-se para o Vereador que a olhava da cama — Amor, você se enganou, esse homem não quer fazer sexo comigo, ele é homossexual e me pediu que saísse do quarto pois quer fazer sexo com você — Dizendo isso, Ana pegou suas coisas e antes de sair do quarto continuou.

— Confie em mim Amor…

Disse isso como quem sente um alivio de vingança — Eu te peço que fique calmo e relaxe, assim ele não vai fazer nenhuma outra maldade com você — Dizendo isso Ana saiu do quarto e nunca mais viu o Vereador!

Autor: @robsonpnx
Imagem: Mateus Zklez