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Qual o preço da PAZ?

Qual o preço da paz que você quer ter no seu bairro, na sua cidade, no seu estado, e no seu país? Qual o preço da paz que você quer pra você?

Na manhã de domingo uma moradora do morro da Congonha em Madureira foi baleada no pescoço e nas costas, e depois supostamente socorrida no camburão de uma viatura do 9° BPM, durante o trajeto o fundo do camburão se abriu e a faxineira Claudia Silva Ferreira, de 38 anos, foi arrastada por 250 metros, seu corpo chegou em carne viva no hospital. Claudia era mãe de 4 filhos, cuidava de mais 4 sobrinhos. (Vejam a matéria completa aqui). A irmã de Claudia, Jussara Silva Ferreira, de 39 anos, ficou chocada quando viu a imagem do corpo da irmã sendo arrastado. Revoltada, ela quer que os policiais sejam punidos:

— Acham que quem mora na comunidade é bandido. Tratam a gente como se fôssemos uma carne descartável. Isso não vai ficar impune. Esses PMs precisam responder pelo que fizeram.

Sempre que há casos de violência e abusos envolvendo policiais, o discurso de Beltrame é o mesmo, a PM agiu de forma legitima para impor a ordem; este foi um caso isolado; estes policiais não refletem a corporação! Neste caso ele divulgou uma nota de repudio a conduta dos PMs que fizeram o resgate de Claudia. Ainda em nota, a PM esclareceu que este tipo de conduta (dos policiais) não condiz com um dos principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana.

Desde de que o senhor José Mariano Beltrame assumiu a Secretaria de Segurança Publica do Rio de Janeiro em 2007, muitos avanços foram feitos nas ocupações de favelas e captura dos chefões do crime organizado carioca, mas esses avanços vieram acompanhados de milícias que exploram o trabalhador, e abusos de PMs em áreas pacificadas, abusos daqueles que deveriam proteger a sociedade! Eu me pergunto, qual a capacidade que uma policia que pratica atos assim tem de pacificar um lugar? Há uma diferença entre sitiar um lugar, e estar presente nele para promover a paz.

Quando algo acontece uma vez, eu entendo ser algo isolado, mas quando acontece sempre eu entendo que é da cultura da corporação. Uma cultura de desrespeito ao cidadão, uma cultura que esta enraizada nas policias de todo país. Desde que as UPPs foram instaladas em comunidades violentas do Rio o numero de assassinatos diminui bastante, em contra partida aumentou o numero de moradores desses mesmos bairros onde há UPPs desaparecidos, estranho né? A morte de uma pessoa é uma tragédia, a morte de varias pessoas se torna estatística.

Para policia todo morador de periferia, e todo favelado é um suspeito em potencial. A policia chega na quebrada mata um estudante, diz que ele era traficante, e o processo é arquivado. A justiça condena o Zé ninguém a 30 anos por roubar um frango, e o Deputado Mensaleiro cumpre prisão domiciliar porque tá doentinho. A policia faz ronda na favela, da tapa na cara de trabalhador pra mostrar quem manda, e saem de lá com a sensação de dever cumprido depois de fazerem o recolhe dos traficantes. Contudo a policia convive com o crime, a politica precisa da criminalidade, é através dela que se justifica recursos desviados, novos cargos, ações ostensivas e etc.

Em fevereiro de 2007, três jovens praticaram um assalto no bairro de Oswaldo Cruz que resultou na morte do menino João Hélio, também arrastado. Com o menino preso pelo lado de fora do veículo, os assaltantes o arrastaram por sete quilômetros, passando pelos bairros de Oswaldo Cruz, Madureira, Campinho e Cascadura. Cinco jovens foram presos por terem participação no assalto. Ao serem levados a delegacia, os policiais exibiram a cara desses jovens como se fossem troféus, ironicamente a prisão foi feita por policiais do 9° BPM, o jovens tiveram suas identidades reveladas e foram condenados. São eles Carlos Eduardo Toledo Lima condenado a 45 anos de reclusão. Diego Nascimento da Silva a 44 anos e 3 meses de reclusão. Carlos Roberto da Silva e Tiago de Abreu Mattos condenados cada um a 39 anos de reclusão. Ezequiel Toledo de Lima condenado a medida sócio-educativa em 3 anos em regime fechado e 2 anos em regime semi-aberto. Até o momento a PM só divulgou o nome dos policiais, são eles os sub-tenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Archanjo, e o sargento Alex Sandro da Silva Alves.

Eu pergunto, se a lei é igual para todos, porque ninguém mostra a cara deles também? Porque a PM não exibe os seus colegas de farda para todos verem a cara desses criminosos. Perde a graça quando você tá do outro lado né?

Autor: @robsonpnx
Musica: Minha Alma — O Rappa

Não aguento mais…

Eu espero mesmo não estar enganado, e ter vivido além dessa em que estou  outras vidas mais, e ter ainda outras mais pra viver. Sei que para os agnósticos que não acreditam em reencarnação, espiritismo, vida após a morte, sim, ela é uma só. O que é um alento e um tormento, traz paz na mesma intensidade que aflige. Eu prefiro seguir assim, sem pressa, sabendo que ainda tenho muito pra viver, e o que eu não viver nessa ei de viver numa próxima.

Domingo abro os olhos, ainda deitado ouço a chuva lá fora, nenhum compromisso agendado, e um dia inteiro pra ficar com a bunda no sofá, mas e se a vida for uma só, vou deixar que ela passe assim? São Paulo tem mais de 200 teatros, 200 cinemas, milhares de estabelecimentos gastronômicos, exposições, mas uma chuva rala e um frio fora de época determinaram que eu deveria ficar em casa. Mas a vida não é uma só? E mesmo que fosse. Pra que encarar todo esse cinza da cidade? Pra ligar no note e escrever, ou reproduzir minhas ideias nas redes sociais? Nada adianta, nada. E como meu hobby é ver o mal do mundo, um dia a depressão bate né.

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Isso tudo porque eu não aguento mais…

Não aguento mais ver a cara do Lula, o homem que não sabe de nada, talvez nem conheça a Rosemary; não aguento mais ver o Sarney mandando no País, transformando-nos num grande "Maranhão", com o PT no bolso do jaquetão de teflon, enquanto professores e trabalhadores braçais discutem para ver quem é que vai salvar o país, “a educação ou a construção civil”, com o Estado loteado de desempregados; não suporto a dúvida impotente dos tucanos sem projetos para o país; não aguento saber que o Genuíno condenado aguarda a voz de prisão sentado numa cadeira de deputado; não aguento mais políticos se defendendo de roubalheira falando em "honra ilibada", conselhos de ética formado por ladrões, suplentes cabeludos e suplentes carecas ocultando os crimes. Odeio a dúvida de Dilma, querendo fazer uma política modernizante, mas batendo cabeça para o PT, esse partido peronista de direita; Maluf negando nossa existência, eternamente impune, não aguento mais dinossauros da politica que conseguem censurar a imprensa que os critica; Não aguento mais ver imagens do Rio São Francisco com obras paradas e secas sem fim, o trem-bala de bilhões atropelando escolas e hospitais falidos, filas de doentes no SUS, declarações de pobres conformados com sua desgraça na TV, pedintes com receitas médicas esfarrapadas, pedem para completar a passagem (até a esquina), pedem para o lanche (só que não aceitam o lanche), pedem porque ‘acabaram de ser assaltados’, pedem para pagar o pastel na feira, ou o caldo de cana, tremo ao ver a República tratada no passado, nostalgias com currais eleitorais, tortura de homens da lei.

Não aguento mais contar quantos foram assassinados por dia na minha cidade, com secretários de segurança falando em "forças-tarefas" diante de presídios que nem conseguem bloquear celulares; Não aguento mais ver balas perdidas sempre acertando em crianças, ônibus pegando fogo da Brasilândia à Heliópolis; Não quero mais ouvir falar de "globalização", enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo nos sinais de trânsito; não aguento as chuvas em São Paulo seus alagamentos, e os desabamentos do Rio, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro arrancado dos ignorantes sem pagar Imposto de Renda; Não aguento mais a CET que só faz multar, o transito só faz piorar, não aguento mais ter de pagar ao manobrista que largará meu carro na esquina, toda vez que saio tenho de pagar ao ao flanelinha, perito em extorquir – Pague a quem se aproximar, ou na volta encontrará a lataria riscada, pneus vazios; Não aguento mais ver ruas, asfaltadas porcamente, para que se asfalte e ‘reasfalte’ outra vez (superfaturando) ao desviar do buraco da esquerda, você cai no buraco do centro, isso quando não cai na cratera à direita; Não aguento mais policiais fazendo corpo mole frente a ondas de violência, ou extorquindo motoristas para não fazer o teste do bafômetro, caixas de banco abertos com dinamite, não aguento mais o medo de levar um tiro num sequestro relâmpago mesmo que eu não resista. Andamos com vidros fechados, portas travadas, vivemos atrás de grades, protegidos por jaulas, câmeras, alarmes, cães, seguranças, não aguento ver que a pior violência é nosso convívio cético com a violência, o mal banalizado e o bem como um charme burguês.

Não dá mais para ouvir quantos campos de futebol foram destruídos por mês nas queimadas da Amazônia, enquanto ecochatos correm nus na Europa, fazendo ridículos protestos contra o efeito estufa; polêmicas sobre casamento gay, odeio a pedofilia perdoada na Igreja, homens, pais de família discutindo irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes que suas donas, odeio recordes sexuais, próteses de silicone, pênis voadores, sucesso sem trabalho, a troca do mérito pela fama, não suporto mais anúncio de cerveja com louras burras, abomino mulheres que se dividem entre piriguetes e santinhas do pau oco, repugnam-me os sorrisos luminosos de celebridades bregas, notícias sobre quem come quem, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumistas, rebolando em shoppings, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e Ocidente, desovando cadáveres na Palestina e em Ramos.

E assim meu domingo se foi, passei mais de 14 horas em frente da TV. Não aprendi nada novo, não fiz absolutamente nada, assisti o Esquenta, e guardei todas essa linhas na minha cabeça pra colocar pra fora durante a semana. Me pergunto se ocupei bem o meu dia ou o desperdicei sem levar em conta a raridade que é a vida. Sei lá. Como saber vive-la se não há jurisprudência ou manuais? Há tantas coisas que me assolam e eu não posso por fim nelas, dai me lembrei da musica do Cole Porter que a letra diz assim: "Conflicting questions rise around my brain/ Should I order cyanide or order champagne?" ("Questões conflitantes rondam minha cabeça/ devo pedir cianureto ou champanha?") Assim, a culpa de não fazer nada num domingo chuvoso não estraga o resto da semana.

Autor: @robsonpnx

E se eles fossem só um Zé?

O fim de semana foi marcado na mídia pela morte de duas pessoas. Mas, como assim, a morte de duas pessoas, se ao todo foram 32 assassinatos desde a última segunda-feira 16 de julho. A repercussão desse dois crimes está relacionada a classe social a qual os mortos pertenciam.

A noticia da morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, executado por PMs no Alto de Pinheiros, após uma abordagem mal feita, não para de repercutir na mídia, não só aqui em São Paulo onde tudo aconteceu, como no resto do mundo. E mesmo com imagens mostrando o fato dos PMs não se darem o trabalho de ligarem as sirenes e giroflex, para mostrar que estavam perseguindo o carro do publicitário, e os diversos tiros disparados contra um homem desarmado, o comandante interino da PM, Hudson Camilli, não admitiu erros por parte dos policiais. "Foi uma ação tecnicamente correta, porque houve a perseguição de um suspeito que desobedeceu à ordem de parada." Disse ele. Que ordem?

O outro crime que repercutiu na mídia em todo o mundo, foi o assassinato do bancário Tomasso Lotto, 26 anos, Italiano recém chegado a São Paulo e que não falava português. Tomasso foi morto numa tentativa de assalto no cruzamento das avenidas 9 de Julho e São Gabriel, no Itaim Bibi – novamente um bairro nobre da cidade – ele foi baleado no tórax, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Os dois criminosos fugiram e até o momento não há pistas.

O secretário de Segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, afirmou tratar-se de mais um crime dos vários que ocorrem na cidade. "É um a mais que ocorre na capital. A gente lamenta, o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e o Deic (Departamento de Investigações Contra o Crime Organizado) e estão fazendo todas as investigações no sentido de elucidar esse crime. Mas isso ocorre lá, ocorre na Cidade Tiradentes, ocorre em Itaquera. Lamentavelmente é a escalada da violência."

Em relação a execução do publicitário o secretário disse não faltar treinamento aos PMs e que o comando da corporação controla a tropa. "Controle absoluto", garantiu ele. "O comando está plenamente tranquilo de que tem o comando nas mãos. Não há nenhuma precipitação ou hipersensibilidade por parte dos policiais que trabalham na rua".

Entre 2006 e 2010, 2.262 pessoas foram mortas após supostos confrontos com PMs paulistas, mas o que a PM não sabe, é que confronto é quando os dois lados se atacam, e não quando há uma execução onde o outro lado não teve reação alguma. Nesse momento em que o mundo está de olho aqui por conta dos futuros eventos esportivos que vamos sediar nos próximo anos, não podemos deixar que aqueles que são responsáveis por nossa segurança deem respostas como as do secretário Antônio Ferreira Pinto, e a do comandante Hudson Camilli, que ao se depararem com a sua falta de competência, dão a população respostas vagas saindo pela tangente.

E se eles fossem só um Zé?

Estas duas mortes só estão sendo noticia porque aconteceram com pessoas com grande poder aquisitivo, pobre morre a todo momento, e nunca faz falta, se morre o Zé porteiro, o Zé faxineiro, o Zé pedreiro é só contratar outro pra colocar no lugar, mais rico quando morre causa um certo alvoroço, afinal quando a violência chega onde ele não deveria, causa pânico em quem tem né!

Autor: @robsonpnx