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O que jamais diríamos sobre Sampa!

Há coisas que só nós que vivemos em São Paulo, que vivenciamos a louca rotina da metrópole é quem podemos dizer dessa feiosa de nariz em pé, e outras que jamais diríamos, nem mesmo aos Cariocas desavisados!

Nunca vai nos ouvir dizer para alguém, numa terça-feira as 15 pras seis da tarde, pegue a Rebouças, é o melhor caminho.

Você nunca ira ouvir de um morador da periferia que a policia é gentil e prestativa.

Também nunca ira ouvir alguém que mora num bairro nobre dizer que a cidade é segura e que costuma ir a pé a padaria sempre.

O Minhocão é uma obra fantástica, podíamos ter mais uns dois dele.

O Borba-Gato é muito mais bonito do que o Cristo Redentor, e você nem precisa subir uma montanha pra ver de perto.

Não importa pra onde você vai, se perguntar pra um Taxista ela vai saber te ensinar.

Vou trocar o carro pela bicicleta, (infelizmente aqui ninguém faz isso).

Pegue o ônibus 6450-10 que você chega em 30min no Centro.

Jamais ira ouvir um Motoboy elogiar um Taxista e vice versa.

Encontrar vaga pra estacionar em véspera de natal no shopping é muito fácil.

Fazer compras na 25 de março é a mesma coisa de ir no shopping, não muda nada!

A CET organiza muito bem o trânsito quando há algum evento, ou quando o farol quebra.

Não é farol, é semáforo!

A conexão das estações Paulista e Consolação foi muito bem planejada.

Fica tranquilo, as pessoas sempre esperam umas as outras na hora de embarcar e desembarcar dos vagões.

Eu adoraria morar no Itaim Paulista, é perto de tudo!

Pois não, pesquisa do Greenpeace na hora do almoço, claro que respondo!

Meu sonho é estudar na FMU.

Eu não como comida de rua, acho nojento!

A Nitro Night é a melhor balada dessa cidade.

Só vou ao jogo do Juventus por causa dos Cânones.

Acho lindo quem da comida aos pombos na praça da Sé.

O tempo hoje tá normal, não precisa levar blusa ou guarda-chuva.

Pega as tralhas de pesca que hoje a gente vai pescar no rio Pinheiros.

É só uma chuvinha de verão, não vai alagar nada, muito menos derrubar alguma árvore.

O Kassab foi o melhor prefeito que essa cidade já teve.

Cansei dessa cidade, vou me mudar para Santo André.

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Autor: @robsonpnx

Noite Fria

Assim mesmo, filmado em preto e branco, pelas ruas do centro de Sampa, o novo clipe de Rodrigo Ogi ilustra quase de forma literal a faixa “Noite Fria”, com produção e beat do DJ Caíque, e dirigido por Gabi Jacob, que já havia dirigido “Por que meu Deus”. Faz parte do elogiado “Crônicas da Cidade Cinza”, de 2011.

É assim contando “histórias das quebradas do mundaréu” — excerto extraído de um disco de samba de 1974 com participação de Plínio Marcos — que Ogi narra essa história da noite paulistana. Um rolle de pixadores em que todas as emoções estão bem descritas na letra, num crescente de emoção e ansiedade que culmina no fim trágico deste personagem das crônicas da cidade cinza, criado por este rap storyteller que resgatou os clássicos contadores de história de outrora do #RapBR. Sob a ótica de quem apenas observa, pixadores fazendo seu rolle noturno tageando prédios e muros da capital, desde a escalada aos prédios até a fuga da polícia são cenas reais, gravadas durante 12 dias na cidade de São Paulo.

Gostou, então vai lá e conferi um pouco mais:

Autor: @robsonpnx

O velório da Galinha!

Passando pela praça Rafael Sapienza, na Vila Madalena observei uma cena no mínimo inusitada, um pombo velava uma galinha. Lá estava ele, impassível, observando o corpo da penosa abatida em sacrifício cerimonial, ela que jazia em uma generosa porção de farofa, acomodada em um vistoso prato de cerâmica. Nem mesmo minha presença curiosa ao me aproximar para tirar a foto o afastou do velório dela. Vez ou outra, ele ciscava de leve a borda do prato de cerâmica. Talvez isso significasse um ato de amor, garantindo que o descanso final da galinha permanecesse limpo e apresentável. Ou talvez não significasse coisa alguma porque, afinal de contas, ele era apenas um pombo. E, pelo visto, dos mais sujos.

Em determinado momento, o pombo se virou e me fitou. Olhei fixo em seus olhos esperando sua próxima reação. Então, seu bico me apontou as árvores ao redor onde também jaziam outros frangos, abatidos em vasilhas de cerâmica, alguns já em decomposição, fruto do implacável tempo. Sim, aquela esquina havia se tornado uma zona livre para despachos.

Por fim, aceitando o seu lugar no teatro do mundo, o pombo fez uma breve reverência com a cabeça e voou para longe, recolhendo seu luto

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Diante disso, é impossível deixar de perguntar:

Qual o santo que vale por São Paulo?

Com todo respeito às diferentes manifestações religiosas, mas uma praça em plena Vila Madalena, bairro nobre e boêmio, onde brincam crianças e famílias fazem piqueniques não pode se tornar um local de acúmulo de despachos por dias a fio sem que o poder público os venha recolher.

São Paulo é uma cidade global. Mas, ao contrário de moradores de outras urbes, como Paris e Londres, apenas agora o paulistano começa a ocupar praças como um espaço que lhe pertence. Comer com a família ou amigos em uma área verde é muito melhor do que na frente da TV, assistindo ao Faustão ou ao Sílvio Santos. Se essas áreas não estiverem conservadas, aí que o povo não vai sair de casa mesmo. Até porque São Paulo é dos carros. E dos pombos.

Kassab, toma que o frango é teu!

Autor: @robsonpnx