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Eu te perdoo…

Te perdoo por usares jeans quando eu te queria de vestido;
Te perdoo por saber que você nunca mais vai andar pela casa sob os pés de outro alguém;
Te perdoo por nunca mais comer brigadeiro com soverte, por não mais comer seu chocolate favorito ou escutar Roupa Nova sem se lembrar de mim;
Te perdoo por deixar nossa promessa se perder no tempo, e os pilares de nosso lar nem se quer terem se edificado;
Te perdoo por guardar minhas cartas de amor, mesmo que hoje elas não façam mais nenhum sentido;
Te perdoo por ser tão orgulhosa a ponto de nunca me ligar, nem pra saber se estou vivo ou já morri;
Te perdoo por toda sua indiferença, que faz eu me sentir um nada;

 

Te perdoo por ser bailarina e eu soldado de chumbo;
Te perdoo por querer entrar na minha vida mesmo sem caber;
Te perdoo por não ter me esperado, e ter vivido uma vida inteira antes que nossas vidas se cruzassem;
Te perdoo por não acompanhar teus passos e nossa dança ficar assim sem ritmo;
Te perdoo pela faísca que inevitavelmente acontece quando seu corpo encosta no meu;
Te perdoo por ter me deixado fugir, quando tudo que precisava pra me prender era me dar um beijo;
Te perdoo por ser seu maior sonho e também o mais distante de se realizar;

 

Te perdoo por tentar abraçar a roseira e mesmo ferida por seus espinhos, persistir e não soltar;
Te perdoo por negares as orquídeas, e junto com elas o maior amor que você poderia viver para amar a quem pouco te ama;
Te perdoo por continuar a ser sapo, mesmo depois de seu beijo de pseudo-princesa;
Te perdoo por construir castelos de areia e acreditar que seria possível morar neles;
Te perdoo por não ser meu pássaro, que a Paulinha cantou pra gente;
Te perdoo por ter provado muito pouco do mundo das cerejas, mas ter provado o bastante pra saber que podes me ligar sempre que os espinhos dele lhe ferirem;

 

Te perdoo por enxergar em mim uma saída, quando na verdade eu sou só a ventania que precede a tempestade;
Te perdoo por sonhar como um barquinho de papel, correr tanto e se desfazer antes de alcançar o mar;
Te perdoo por ser tão pequena e ter seu destino amarrado em outros passos que não os teus;
Te perdoo pela felicidade fingida que você estampa no rosto na tentativa de forjar uma relação que não existe;
Te perdoo pelos frutos do seu ventre não terem vindo de sementes que eu plantei;
Te perdoo por me causares disritmia no coração, confusão no cérebro e desdém no olhar;
Te perdoo pele boca vermelha, pelo cheiro de morangos, que de perto eu não senti;

Te perdoo pelas muitas lembranças que você deixou, espalhadas todas por caixas e gavetas que já não me causam nenhuma emoção, são só lembranças vazias;
Te perdoo porque eu escolhi ser feliz ao invés de escolher você

Autor: @robsonpnx

Eu confesso…

Já que hoje é o dia dos namorados, e namora eu não tenho, ao menos não oficialmente! Vou postar aqui um e-mail que escrevi em Novembro do ano passado, confessando uma porção de coisas mimimi, quando ser solteiro já estava me sufocando, mas muita água rolou de lá pra cá, e o post de hoje é só para inspirar quem namora a fazer coisas bobas, quentes, e legais pra aproveitar essa data de um jeito muito especial.

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Segue então minha confissões;

Confesso que sinto falta de pegar um cineminha no meio de semana, só pra fugir da rotina;

Confesso que sinto falta de comprar vestidos, só pra ter o prazer de tira-los depois;

Confesso que sinto falta de ter alguém cumplice, com quem eu possa dividir uma travessura no meio de uma festinha;

Confesso que sinto falta de alguém pra dançar comigo na rua, fazendo papel de bobo pros carros no semáforo ficarem buzinando de inveja;

Confesso que sinto falta de um sorriso de mulher no sábado pela manhã pra dividir a mesa do café, depois da balada, seja ela na rua ou na cama;

Confesso que sinto falta de alguém pra andar pisando nos meus pés, passeando pela casa toda;

Confesso que sinto falta de um colo nos domingos de chuva, pra ficar embaixo do edredom assistindo um filminho, ou mesmo vendo o programa do Faustão;

Confesso que sinto falta daquela ansiedade que provoca borboletas no estômago, na noite daquele encontro que a gente fica dias esperando;

Confesso que sinto falta de receber aquela ligação de madrugada ou mesmo um sms, com alguém do outro lado dizendo que não consegue dormir porque não para de pensar em mim;

Confesso que sinto falta de tomar banho junto, e depois na cama ficar dentro de alguém até pegar no sono, acordar e ficar olhando pro teto e me perguntando o que pode haver de melhor nesse mundo do que fazer amor;

Autor: @robsonpnx

Perdido

Ontem eu perdi minha carteira
E perdi com ela o dinheiro do aluguel
Perdi a calma, perdi a paciência com a patroa culpando-me
Perdi o tesão, perdi a fome
Perdi o sono
Perdi o busão e saí atrasado
Perdi o vazio e fui no lotado
Perdi o bilhete, paguei com uns trocado
Perdi o café no trampo
Perdi o crachá, ouvi um bucado
Já tava atrasado… perdi meu trabalho…
Perdi meu salário, perdi meu sustento
Perdido vaguei contra o vento
Perdi meu barraco, perdi minha mulher
Perdi o respeito e os camaradas
Perdi a esperança e a confiança
Perdi minha infância, lá atrás
Já nasci perdendo, já perdi demais
Perdi o brilho no olhar
Perdi a cabeça
Já perdi tanto que nada tenho a perder
Perdi o medo do escuro, do mal
Perdi o medo de roubar e matar
Perdi as estribeiras
Perdi a noção e em plena luz do dia
Alguém mais vai perder
Já Perdi demais sozinho
Perdi a bondade no coração
Perdi a carteira, o busão, o horário, o trabalho, a infância, porra!
Só não perdi a pontaria, ta ligado?!
Perdi o controle
– Perdeu playboy… – plau!
Fui dar um perdido
Perdi o pique
Perdi o caminho
Perdi na troca com os tiras
Perdi a dignidade, perdi sangue
Perdi o horário, o busão, o salário, o barraco
Perdi a bondade, o sono, o trabalho e antes de tudo isso
Perdi a carteira
Perdi a esperança
Perdi o medo de atirar
O medo de perder tudo
Perdi muito, mais muito sangue
Perdi a vida
Perdi tudo
Perdi
Autor: Fabio Boca do DiQuintal